O jornalista arapiraquense Roberto Gonçalves, uma das vozes mais conhecidas e respeitadas do jornalismo alagoano, faleceu neste sábado, dia 11, aos 80 anos de idade. Segundo informações divulgadas por colegas próximos, ele vinha travando uma dura batalha contra um câncer descoberto há alguns meses, localizado na base da língua.
Quem viveu ou acompanhou a imprensa de Alagoas nas últimas décadas certamente já ouviu o nome de Roberto. Ele foi um daqueles profissionais que marcaram época — daqueles que sabiam contar uma história com alma, com aquele jeito simples e direto que fazia o público parar pra ouvir. Trabalhou em importantes jornais do estado e passou por emissoras de rádio em Palmeira dos Índios e Arapiraca, onde deixou sua marca não apenas pelo talento, mas pela ética e pelo carinho com que tratava colegas e ouvintes.
Muita gente lembra de suas participações em programas locais, sempre com aquele tom firme, mas sem arrogância, característica rara hoje em dia. Nos últimos tempos, mesmo já enfrentando a doença, Roberto ainda mantinha contato com amigos de redação e dizia que sentia falta do “cheiro da tinta do jornal”, como brincava quando falava dos velhos tempos de impressora rodando madrugada adentro.
Segundo informações apuradas pelo portal Tribuna Hoje, a família preferiu manter em sigilo os detalhes sobre o velório e o sepultamento, respeitando um desejo pessoal do jornalista de viver — e partir — com discrição. Amigos próximos afirmam que ele costumava dizer que não queria “alarde”, apenas paz.
Nascido em Arapiraca, Roberto começou cedo no rádio, ainda nos anos 60, quando a cidade mal tinha estrutura, mas já fervia de notícias e histórias pra contar. Foi repórter de rua, editor, apresentador, e até chegou a dirigir redações. Era conhecido por ser exigente, daqueles que não deixavam passar erro de português nem título mal escrito. Mas, ao mesmo tempo, era generoso com quem estava começando. “Ele me ensinou que jornalismo é mais do que escrever bonito, é saber ouvir”, contou um ex-estagiário que trabalhou com ele na antiga Rádio Novo Nordeste.
Nos últimos meses, mesmo debilitado pelo tratamento, Roberto ainda acompanhava as notícias locais e se mostrava preocupado com os rumos do jornalismo no país. Em conversas recentes, comentou sobre as mudanças provocadas pela internet e pela avalanche de fake news. “Hoje todo mundo acha que é jornalista, mas poucos sabem o peso da responsabilidade que isso carrega”, teria dito em uma das últimas entrevistas concedidas, ainda em 2024.
A morte de Roberto Gonçalves deixa um vazio no jornalismo de Alagoas. Em tempos de imediatismo e manchetes rasas, ele representava uma geração que valorizava a apuração, o contato humano e a verdade acima de tudo. Seu legado vai além das redações e transmissões: está na memória de quem aprendeu com ele o verdadeiro sentido de comunicar.
Como escreveu um amigo seu em uma rede social, “Roberto era daqueles que não precisavam falar alto pra serem ouvidos”. E talvez seja assim que muitos vão se lembrar dele — com a voz serena, o olhar atento e o compromisso de quem entendia que notícia boa é aquela contada com o coração e com respeito ao público.
Com sua partida, o rádio e o jornalismo alagoano perdem mais que um profissional — perdem uma parte viva de sua história.