Em 2020, bem no auge daquele período tenso da pandemia, uma cena chamou muita atenção de quem acompanhava o noticiário ao vivo. A jornalista Beatriz Castro, da GloboNews, acabou não segurando a emoção e chorou durante uma transmissão. Era um momento delicado, daqueles que mexem mesmo com qualquer pessoa, ainda mais pra quem trabalha informando o público o tempo todo.
Na ocasião, ela falava sobre a morte do engenheiro e colecionador Ricardo Brennand, que estava internado em estado grave após ter sido diagnosticado com coronavírus. Enquanto contava a trajetória dele, dava pra perceber claramente que não era só mais uma notícia pra ela. Tinha algo pessoal ali, uma ligação que ultrapassava o profissional.
“É um momento muito difícil pra gente”, disse Beatriz, com a voz já embargada. E não demorou muito, ela tentou continuar, respirou fundo, mas acabou desabando. As lágrimas vieram, e não teve muito o que fazer. Ao vivo é assim, não dá pra cortar, não dá pra esconder.
Ela mesma explicou o motivo daquela emoção toda. Segundo a jornalista, Ricardo Brennand não costumava falar com a imprensa, era bem reservado. Mas, mesmo assim, abriu exceção duas vezes pra dar entrevista justamente pra ela. Isso, claro, criou uma relação de respeito e gratidão, algo que ficou marcado.
“Minha relação pessoal com ele era de muita gratidão…”, ela disse na época, tentando ainda manter o controle, mas já bastante abalada. E dá pra entender, né. Em meio a tanta notícia ruim naquela fase, quando envolve alguém que você teve contato, pesa diferente.
A pandemia, que começou lá em Wuhan, na China, no final de 2019, rapidamente tomou proporções gigantescas. Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou como uma emergência global. E o resto todo mundo lembra… hospitais lotados, medo, isolamento, perdas. Muitas perdas.
No Brasil, até 2025, foram mais de 715 mil mortes registradas. Um número que impressiona e, ao mesmo tempo, entristece. Não foram só números, eram histórias, famílias, sonhos interrompidos. E também teve impacto em tudo: economia, rotina, tecnologia… muita coisa mudou de lá pra cá, inclusive a forma como as pessoas se comunicam e trabalham.

Voltando ao caso do Ricardo Brennand, ele também era conhecido por outro detalhe curioso: a família enorme. Segundo informações da época, ele tinha 23 netos, 48 bisnetos e até uma tataraneta. Algo raro hoje em dia. O corpo dele foi cremado no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, na região do Grande Recife.
Já mais recentemente, outra notícia triste acabou pegando muita gente de surpresa. No último sábado, dia 04, foi confirmada a morte de um narrador esportivo bastante conhecido no meio do rádio. A informação rapidamente se espalhou e gerou grande comoção entre colegas e fãs.
Ele tinha uma trajetória longa, daquelas construídas com paixão pelo esporte. Durante anos, conciliou o trabalho no rádio com o futebol, que sempre fez parte da vida dele. Era uma voz familiar pra muitos ouvintes, dessas que acompanham jogos e ficam marcadas na memória.
E é meio inevitável fazer uma ligação entre essas histórias. Tanto a emoção da jornalista lá atrás quanto a comoção recente mostram como certas profissões, mesmo sendo vistas como “informativas”, carregam muito sentimento. Não é só notícia fria. Tem gente, tem história por trás.
No fim das contas, momentos assim acabam lembrando que, por mais que a gente tente manter a postura profissional, tem horas que o lado humano fala mais alto. E talvez seja justamente isso que faz tudo parecer mais real.