Falecimento deixa o Estrela da Casa de luto; Ana Clara entrega triste notícia: ‘Que Deus conforte à família’

No último sábado, 13 de setembro, o programa Estrela da Casa, da Globo, terminou de um jeito diferente. Ana Clara, que sempre conduz a atração com aquele jeito leve e espontâneo, precisou dar uma notícia que ninguém gostaria de ouvir. O Brasil perdeu uma das figuras mais criativas e respeitadas da música: Hermeto Pascoal, que faleceu aos 89 anos.

A reação foi imediata. Fãs, colegas músicos e admiradores de longa data lotaram as redes sociais com mensagens de tristeza e também de gratidão. Não demorou para que o nome do artista estivesse entre os assuntos mais comentados do X (antigo Twitter). Até artistas da nova geração, gente que cresceu muito depois do auge de Hermeto, fizeram questão de destacar o impacto que ele teve em suas carreiras.

Durante o anúncio, a própria programação do Estrela da Casa entrou em clima de luto. O programa, que costuma encerrar com energia, música e sorrisos, dessa vez terminou em silêncio respeitoso e cheio de emoção.

A homenagem de Ana Clara

Ana Clara, visivelmente emocionada, aproveitou os minutos finais para lembrar da importância de Hermeto Pascoal, tanto no Brasil quanto fora dele. Ela falou de maneira simples, mas sentida, destacando o quanto sua obra é maior que o tempo. “Ele foi e continua sendo um ícone da música instrumental. Não tem como falar de criatividade sem lembrar de Hermeto”, disse.

A apresentadora ainda reforçou que o legado dele não se apaga: “Deixo meus sentimentos à família, amigos e fãs. Mas, o legado continua”. Essas palavras, apesar de curtas, tiveram um peso imenso. O público percebeu ali que não era apenas mais uma notícia lida no teleprompter; era um reconhecimento genuíno de alguém que entende o quanto Hermeto foi essencial para a cultura brasileira.

O gênio dos sons

Hermeto Pascoal nunca foi um músico comum. Chamado de “bruxo” por muitos, ele tinha a habilidade rara de transformar qualquer coisa em música. Panela, copo d’água, até sons da natureza — nada escapava da sua criatividade. Quem já assistiu a uma de suas apresentações sabe que cada show era uma verdadeira experiência sensorial.

Além de multi-instrumentista, Hermeto também foi arranjador, compositor e improvisador nato. Tocava piano, flauta, saxofone, sanfona, e por aí vai. Sempre explorando novas combinações, sem medo de misturar o clássico com o popular, o erudito com o regional. Essa ousadia fez dele uma referência não só no Brasil, mas no mundo todo.

Ao longo da carreira, trabalhou com nomes gigantes da música. Entre eles, Miles Davis, que chegou a afirmar: “Hermeto é um dos músicos mais impressionantes do planeta”. Essa frase corre até hoje nos bastidores do jazz e serve para mostrar a dimensão do que ele representou.

Influência que não morre

O impacto de Hermeto não se resume à música. Muitos jovens artistas citam ele como inspiração para ousar, para não se prender a regras e padrões impostos pela indústria. Num tempo em que tudo parece formatado para tocar nos streamings, lembrar da liberdade criativa de Hermeto é quase um respiro.

Se hoje vemos bandas independentes usando sons inusitados ou misturando estilos improváveis, uma parte disso se deve à coragem de Hermeto lá atrás. Ele abriu caminhos para que a música fosse menos engessada, mais verdadeira.

Um Brasil em despedida

A morte de Hermeto Pascoal deixa uma lacuna gigante na cultura nacional, mas também nos lembra da riqueza da música brasileira. Em meio a tantos debates políticos e crises que parecem não ter fim, a perda de um ícone como ele gera uma espécie de pausa coletiva, um momento para refletir sobre o que realmente importa e sobre o poder da arte de unir as pessoas.

Hermeto se foi, mas sua obra fica. Fica nos discos, nas gravações raras no YouTube, nas memórias de quem já o viu tocar ao vivo. Fica também como inspiração para as próximas gerações que ainda vão descobrir que, sim, é possível transformar até o barulho do vento em música.



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