Falece namorada de locutor assassinado pelo ex dela em Goiás

A tragédia que abalou a cidade de Cromínia, no sul de Goiás, ganhou um desfecho ainda mais doloroso nesta terça-feira (4). Lucivane Batista Tavares, de 50 anos, que estava internada em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Urgências de Goiás (Hugo), em Goiânia, não resistiu aos ferimentos provocados pelas facadas que sofreu durante um ataque ocorrido no último domingo (2).

Ela era companheira do locutor Célio Pereira da Silva, de 66 anos, que morreu ainda no local da agressão. A confirmação da morte de Lucivane aumentou a comoção entre familiares, amigos e moradores da região, que acompanham o caso desde o fim de semana.

O casal estava em uma residência localizada na zona rural de Cromínia quando foi surpreendido pelo agressor. Segundo as investigações iniciais, o principal suspeito é o ex-companheiro de Lucivane. A identidade dele ainda não foi divulgada oficialmente pelas autoridades, já que as investigações seguem em andamento.

De acordo com informações repassadas pela Polícia Civil de Goiás (PCGO), existem fortes indícios de que o crime tenha sido planejado. Os investigadores trabalham com a hipótese de que o suspeito não aceitava o fim do relacionamento e decidiu atacar a ex-companheira após descobrir que ela havia iniciado uma nova relação amorosa.

O delegado Leylton Barros, responsável pela investigação, informou que o homem já possuía um histórico de violência contra Lucivane. Conforme apurado pela polícia, ela já havia sido vítima de agressões físicas e também de ameaças e ofensas verbais durante o relacionamento. Por causa desse histórico, a Justiça chegou a determinar medidas protetivas para tentar garantir a segurança da vítima.

Mesmo assim, segundo a investigação, essas determinações judiciais acabaram sendo descumpridas pelo suspeito. Em determinado momento ele chegou a ser preso em razão das ocorrências envolvendo violência doméstica. No entanto, após passar alguns meses detido, foi colocado em liberdade.

Ainda conforme a Polícia Civil, a suspeita é que, depois de deixar a prisão e descobrir que Lucivane estava vivendo um novo relacionamento com Célio Pereira, o homem tenha começado a planejar o ataque que terminou de forma trágica.

Informações divulgadas pela Polícia Militar apontam ainda que, logo após o crime, o suspeito teria ligado para o próprio filho. Durante a conversa, ele confessou ter cometido o ataque e afirmou que pretendia tirar a própria vida. As circunstâncias dessa ligação também fazem parte da investigação conduzida pelas autoridades.

Com a confirmação da morte de Lucivane, o caso passou a ser tratado também como feminicídio, além do homicídio de Célio Pereira da Silva. A Polícia Civil segue reunindo provas, ouvindo testemunhas e realizando outras diligências para esclarecer todos os detalhes do crime.

O episódio voltou a chamar atenção para os casos de violência contra a mulher e para os desafios no cumprimento das medidas protetivas previstas na legislação brasileira. Especialistas destacam que, embora esses mecanismos sejam importantes para proteger vítimas de violência doméstica, o descumprimento das decisões judiciais ainda representa um grande risco em muitos casos.

Enquanto a investigação continua, familiares das vítimas tentam lidar com a dor provocada pela perda de duas pessoas em um crime que chocou toda a comunidade. A expectativa agora é que a Justiça dê sequência ao processo e responsabilize o autor pelos crimes praticados. Se as suspeitas forem confirmadas ao longo das investigações, ele deverá responder pelos homicídios e também pelo feminicídio de sua ex-companheira.



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