Falece Hermeto Pascoal, ícone da música brasileira, aos 89 anos

O Brasil acordou neste sábado (13/9) com uma notícia que pegou muita gente de surpresa: a morte do multi-instrumentista Hermeto Pascoal, aos 89 anos. A confirmação veio pelas redes sociais oficiais do músico, que por décadas foi considerado um dos maiores gênios vivos da música. Até o momento, a causa do falecimento não foi revelada, mas a informação já correu entre artistas, fãs e admiradores do “bruxo” da música universal.

No comunicado publicado por sua equipe, havia uma mensagem comovente, que soou quase como uma despedida escrita pelo próprio espírito inquieto de Hermeto. “Com serenidade e amor, comunicamos que Hermeto Pascoal fez sua passagem para o plano espiritual, cercado pela família e por companheiros de música. […] Como ele sempre nos ensinou, não deixemos a tristeza tomar conta: escutemos o vento, o canto dos pássaros, o copo d’água, a cachoeira, a música universal segue viva”. A frase ecoou em milhares de compartilhamentos, e muita gente comentou como era típico dele transformar qualquer som em melodia.

Hermeto, que nasceu em Lagoa da Canoa, interior de Alagoas, era conhecido por tirar música de praticamente tudo: chaleira, brinquedo, lata, ou até mesmo do corpo humano. Quem já assistiu uma apresentação ao vivo sabe bem que ele podia pegar um copo d’água e transformar aquilo em uma orquestra inteira. Essa criatividade, misturada com uma certa maluquice genial, colocou seu nome entre os grandes nomes da música experimental do mundo. Não à toa, já foi chamado por Miles Davis de “um dos músicos mais impressionantes” que ele havia encontrado.

O músico atravessou gerações, mas nunca deixou de ser atual. Até pouco tempo, aparecia em entrevistas ou lives comentando política, cultura e, claro, improvisando músicas com o que estivesse à mão. Em tempos de TikTok e reels, vídeos de Hermeto sempre viralizavam porque a autenticidade dele não cabia em rótulos. Era ele mesmo, do jeitão simples, meio bagunçado, com barba branca enorme e um jeito de falar que parecia mistura de filósofo com contador de causos.

A notícia da morte trouxe uma onda de homenagens nas redes. Nomes como Gilberto Gil, Elba Ramalho e até Caetano já prestaram suas palavras. No X (antigo Twitter), um dos assuntos mais comentados do dia foi “Hermeto imortal”, numa espécie de reconhecimento de que, apesar da partida física, sua obra não tem prazo de validade. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva também escreveu, destacando a importância de Hermeto na identidade cultural brasileira, chamando-o de “patrimônio vivo da música, agora eterno”.

Hermeto sempre defendeu a ideia de que a música era para todos, sem barreiras. Não se importava com partitura, regras ou estilos fixos. Para ele, qualquer barulho podia virar arte. Quem já acompanhou uma oficina ou workshop conduzido por ele sabe como aquilo parecia mais um ritual de libertação do que uma aula formal. Talvez por isso fosse tão amado por músicos iniciantes, que viam nele a prova de que não era preciso ser “quadrado” para criar.

Seus 89 anos foram intensos e, de certa forma, bem vividos. Gravou discos, tocou com orquestras, rodou o mundo e, ao mesmo tempo, nunca perdeu as raízes nordestinas. Ainda em 2023, Hermeto havia feito aparições em eventos e festivais, mostrando energia que deixava muitos jovens no chinelo.

Agora, fica o vazio da perda, mas também a sensação de que sua música continua soprando por aí, no vento, na chuva e até no barulho do trânsito caótico das cidades brasileiras. Afinal, se tem algo que Hermeto sempre nos ensinou, é que não existe silêncio absoluto: sempre há uma melodia escondida, esperando para ser revelada.

Hermeto Pascoal partiu, mas o seu som, esse sim, não tem fim.



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