O jornalismo esportivo brasileiro perdeu neste sábado um de seus profissionais mais conhecidos. Morreu, aos 74 anos, o jornalista Marcos Penido, que enfrentava um quadro de insuficiência cardíaca. Chamado carinhosamente de “Penidão” por colegas e amigos, ele construiu uma carreira de mais de três décadas e deixou sua marca principalmente na cobertura do futebol e das Copas do Mundo.
Penido trabalhou durante 32 anos no jornal O GLOBO, entre 1983 e 2015. Nesse período, acompanhou de perto alguns dos principais acontecimentos do futebol brasileiro e internacional. Ao todo, esteve presente na cobertura de nove Mundiais, entre 1982 e 2014, uma trajetória que mostra a dimensão da experiência acumulada pelo jornalista.
Mais do que acompanhar partidas, porém, Penido ficou conhecido pelo trabalho de reportagem. Era o tipo de profissional que buscava informação, conversava com fontes e insistia até encontrar algo que pudesse virar notícia. Essa característica foi lembrada por Toninho Nascimento, ex-editor de O GLOBO e chefe de Penido durante 16 anos.
“Ele era o que hoje em dia cada vez temos menos no jornalismo, um repórter. Um cara dedicado a descobrir notícias”, afirmou Nascimento ao comentar a trajetória do colega.
A carreira de Marcos Penido também foi reconhecida com importantes premiações. Seu primeiro Prêmio Esso veio ainda pelo Jornal do Brasil, graças à cobertura da Copa do Mundo de 1982. Naquela época, o torneio realizado na Espanha reuniu uma das seleções brasileiras mais lembradas da história, comandada por nomes como Zico, Sócrates, Falcão e Júnior.
Anos depois, já trabalhando em O GLOBO, Penido conquistou novamente o Prêmio Esso. Dessa vez, o reconhecimento veio por uma investigação sobre um esquema de manipulação de resultados no futebol do Rio de Janeiro.
A reportagem foi publicada em 16 de dezembro de 1994 e trouxe informações sobre uma suposta articulação envolvendo a arbitragem da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj). De acordo com a apuração, Wagner Canazaro, que ocupava naquele momento o cargo de diretor do quadro de árbitros da entidade, teria convocado cerca de 70 juízes para organizar a manipulação de partidas do Campeonato Carioca daquele ano.

A publicação provocou repercussão e fez com que outros jornalistas passassem a acompanhar o caso mais de perto. A investigação buscava reunir novas informações que ajudassem a impedir o esquema e esclarecer o que estava acontecendo nos bastidores do futebol estadual.
O trabalho foi realizado por uma equipe formada por Marcos Penido, César Seabra, Eduardo Tchao, Paulo Júlio Clement, Antônio Roberto Arruda e Gustavo Poli. O grupo acabou recebendo o Prêmio Esso de Informação Esportiva pela reportagem.
A história profissional de Penido atravessou diferentes momentos do futebol brasileiro. Foram décadas acompanhando jogadores, técnicos, dirigentes e grandes competições. Da Copa de 1982 até o Mundial de 2014, ele viu mudanças profundas no esporte e também na maneira de fazer jornalismo.
Sua trajetória termina deixando como principal legado a figura do repórter que ia atrás da notícia, característica cada vez mais valorizada em um período no qual a informação circula rapidamente pelas redes sociais.
Marcos Penido deixa lembranças entre colegas e profissionais que conviveram com ele, além de uma carreira marcada por grandes coberturas e reportagens investigativas. Para o jornalismo esportivo, fica a história de um profissional que esteve por décadas onde a notícia acontecia e que ajudou a contar capítulos importantes do futebol brasileiro.