Falece aos 91 anos, estilista Giorgio Armani

A moda mundial amanheceu mais silenciosa nesta quinta-feira (4), após a confirmação da morte de Giorgio Armani, um dos maiores nomes da alta-costura italiana. O anúncio partiu da própria empresa que leva o seu nome e, segundo o comunicado, foi feito “com infinita tristeza”, destacando Armani como criador, fundador e alma de todo o império que construiu ao longo de décadas.

Aos 91 anos, Armani não era apenas um estilista qualquer. Para muitos, ele representava a própria tradução do que significa estilo e elegância italianos no século XX e XXI. Mais do que roupas, ele entregava uma visão de vida — refinada, minimalista e ao mesmo tempo extremamente sofisticada. Quem já acompanhou um de seus desfiles em Milão ou até mesmo observou uma peça sua de perto, sabe bem o impacto que suas criações causavam.

O estilista também tinha um faro afiado para os negócios. Não à toa, sua grife movimentava por ano algo em torno de 2,3 bilhões de euros, o equivalente a quase R$ 14,5 bilhões. Um verdadeiro império, construído com disciplina e dedicação quase obsessiva. É curioso pensar que, apesar da fortuna e da fama mundial, Armani mantinha uma postura discreta, sem escândalos ou exageros que muitas vezes acompanham o universo da moda.

Nos últimos tempos, porém, a saúde já não era a mesma. Ele estava afastado havia alguns meses e, em junho deste ano, pela primeira vez em sua longa carreira, não participou dos desfiles da Semana de Moda Masculina de Milão. Para quem conhece a rotina rígida e o perfeccionismo do estilista — apelidado de “Re Giorgio” (Rei Giorgio) — isso soou como um sinal de alerta. Afinal, ele era conhecido por supervisionar pessoalmente tudo: desde a campanha publicitária da marca até o penteado das modelos momentos antes de subirem à passarela.

Armani foi mais do que um costureiro. Ele ajudou a redefinir o que é vestir-se bem. Sua estética, que eliminava excessos e buscava linhas mais puras e elegantes, influenciou gerações. Figuras do cinema, da política e do esporte vestiram Armani em momentos decisivos. Quem não se lembra, por exemplo, de Richard Gere em Gigolô Americano (1980), praticamente apresentando Armani ao mundo? Ou então dos tapetes vermelhos de Hollywood, onde seus ternos e vestidos eram presença quase obrigatória?

Mesmo com toda essa relevância, o estilista sempre cultivou um certo ar de reserva. Raramente concedia entrevistas longas e evitava holofotes desnecessários, o que de certa forma só aumentava o mito em torno de seu nome. Era como se deixasse que suas criações falassem por ele.

Agora, Milão, cidade que sempre foi o coração pulsante da sua trajetória, prepara a despedida. A empresa informou que uma câmara funerária será aberta neste sábado e domingo para que o público e admiradores possam prestar suas homenagens. Depois, será realizado um funeral privado, sem data confirmada, restrito à família e aos amigos mais próximos.

A morte de Giorgio Armani deixa um vazio imenso, não apenas na moda italiana, mas também na cultura contemporânea. Em tempos de tendências rápidas e descartáveis, ele lembrava que elegância verdadeira é atemporal. Talvez seja por isso que tanta gente, até hoje, recorra ao seu estilo como sinônimo de classe.

De certa forma, sua partida marca o fim de uma era. Mas também abre espaço para refletirmos sobre como seu legado vai continuar inspirando novas gerações de estilistas e admiradores da moda. Porque, mesmo ausente, Armani permanece vivo em cada traço limpo de um terno bem cortado, em cada detalhe sutil que transforma uma peça comum em algo memorável.



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