Ex-jogador brasileiro perde a vida de forma trágica após acidente com moto elétrica

A morte do ex-jogador de futebol e barbeiro brasileiro Saul Muniz, de 40 anos, causou comoção entre familiares, amigos e pessoas que acompanharam sua trajetória tanto no Brasil quanto na Irlanda. Natural de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, Saul não resistiu aos ferimentos sofridos após um grave acidente de scooter na cidade de Galway. Ele permaneceu internado durante três dias, mas infelizmente teve a morte confirmada pela família no último domingo, 12 de julho.

O acidente aconteceu na sexta-feira, dia 10. Segundo informações divulgadas pela irmã de Saul, Pati Borges, ele sofreu um traumatismo craniano bastante grave logo após a queda. Ainda no mesmo dia, os médicos decidiram transferi-lo para um hospital em Dublin, capital da Irlanda, onde havia uma estrutura mais preparada para cuidar do caso. Apesar dos esforços da equipe médica, o estado de saúde piorou rapidamente.

Durante o tratamento, Saul chegou a ser colocado em coma induzido na tentativa de reduzir os danos causados pela lesão. A família manteve a esperança até o último momento, mas no domingo à noite veio a notícia que ninguém queria receber. Os médicos comunicaram que ele não havia resistido aos ferimentos.

Mesmo enfrentando um momento de profunda tristeza, a família tomou uma decisão que emocionou muita gente. Os parentes autorizaram a doação dos órgãos de Saul, permitindo que coração, rins, fígado e pâncreas fossem destinados a pacientes que aguardavam transplante. A atitude foi vista como uma forma de manter vivo o espírito solidário que sempre marcou a vida dele.

Em entrevista à CNN Brasil, a irmã contou que essa escolha tem tudo a ver com a personalidade do ex-jogador. Segundo ela, Saul sempre foi uma pessoa voltada para ajudar quem precisava e certamente ficaria feliz em saber que sua partida poderia salvar outras vidas. A declaração acabou repercutindo bastante nas redes sociais e recebeu diversas mensagens de apoio.

Nos primeiros dias após o acidente, amigos brasileiros que vivem na Irlanda organizaram uma campanha para arrecadar recursos e trazer o corpo de Saul de volta ao Brasil. A mobilização foi grande e conseguiu reunir mais de 20 mil euros em pouco tempo, mostrando o carinho que ele conquistou ao longo dos anos vivendo no exterior.

Mesmo com o valor arrecadado, os familiares decidiram seguir outro caminho. Em vez do translado, optaram pela cremação na Irlanda. Depois desse processo, as cinzas serão enviadas para Ribeirão Preto, cidade onde Saul nasceu e onde parte da família ainda vive. A escolha também ajudou a reduzir os custos e facilitar os procedimentos legais.

Antes de construir uma nova vida fora do Brasil, Saul viveu o sonho de ser jogador profissional. Ele atuou como zagueiro do Comercial Futebol Clube entre 2007 e 2010. No entanto, uma sequência de problemas de saúde e algumas cirurgias acabaram interrompendo sua carreira dentro dos gramados muito antes do que ele imaginava.

Sem desistir da vida, resolveu buscar novos caminhos. Em 2014, mudou-se para a Irlanda com o objetivo de estudar inglês e recomeçar. Foi lá que transformou um costume simples, cortar o cabelo dos amigos, em profissão. Aos poucos conquistou espaço em barbearias de Galway, fez novos clientes e construiu uma carreira respeitada. Quem conviveu com ele diz que Saul era conhecido pelo bom humor e pela facilidade de fazer amizade.

Além do trabalho, ele também dedicava parte do seu tempo a projetos sociais. Saul participou de ações humanitárias promovidas pela ONG “You in Africa”, ajudando pessoas em situação de vulnerabilidade. Esse lado solidário acabou sendo lembrado por muitos amigos após sua morte.

Outro sonho que estava prestes a realizar era o lançamento de um livro contando sua própria história. A obra estava prevista para chegar ao público ainda neste mês de julho e reunia experiências vividas dentro e fora do futebol, além dos desafios enfrentados durante sua mudança para a Europa.

Ao falar sobre esse projeto, a irmã revelou que sente um certo conforto por saber que Saul conseguiu deixar parte de sua trajetória registrada. Para ela, o livro será uma maneira de manter viva a memória do irmão e inspirar outras pessoas que enfrentam dificuldades a nunca desistirem dos seus objetivos.



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