Ex-deputado do PT perde a vida após ser esfaqueado pelo filho

O ex-deputado estadual Paulo Frateschi, do PT, morreu de forma trágica na manhã desta quinta-feira (6) após ser esfaqueado pelo próprio filho, em um episódio que chocou até os colegas mais próximos do partido. Segundo informações da Polícia Militar de São Paulo, o crime aconteceu na Rua Ponta Porã, no bairro da Lapa, Zona Oeste da capital.

De acordo com as primeiras informações, o filho de Paulo estaria em surto psicótico no momento do ataque. Armado com uma faca, ele teria desferido vários golpes contra o pai, atingindo principalmente a cabeça e o braço. A mãe, desesperada, tentou impedir a agressão, mas acabou também ferida — felizmente de forma leve. O rapaz foi contido ainda no local e levado à delegacia, onde o caso segue sob investigação.

Paulo Frateschi chegou a ser socorrido pelo Samu e levado às pressas para o Hospital das Clínicas, mas deu entrada em parada cardiorrespiratória. Apesar dos esforços da equipe médica, ele não resistiu aos ferimentos. A notícia da morte foi confirmada oficialmente pela assessoria do Partido dos Trabalhadores.

O caso gerou grande comoção entre políticos e militantes do PT, especialmente porque Frateschi era uma figura muito respeitada dentro da legenda. Ele foi presidente estadual do partido em São Paulo e era considerado um dos quadros mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Inclusive, há um episódio marcante dessa amizade: em 2019, logo após Lula ser solto por decisão do Supremo Tribunal Federal, o petista ficou hospedado na casa de Frateschi, em Paraty (RJ), antes de retomar as atividades públicas. Na época, fotos dos dois circularam nas redes sociais, mostrando o ex-presidente descansando ao lado do amigo em clima de confraternização e esperança.

Mas a vida de Paulo Frateschi também foi marcada por tragédias familiares. Antes mesmo desse episódio brutal, ele já havia perdido dois filhos em acidentes de carro, em anos consecutivos — algo que muitos próximos relatam que o deixou profundamente abalado.

Em 2002, seu filho Pedro, de apenas 7 anos, morreu em um acidente na rodovia Carvalho Pinto, em Guararema (SP). No ano seguinte, Júlio, então com 16 anos, também perdeu a vida após capotar o carro que dirigia na rodovia Rio-Santos, na altura do km 572. Amigos relatam que Frateschi sempre falava com emoção sobre os filhos, e que nunca superou totalmente essas perdas.

A morte dele, agora pelas mãos do próprio filho, encerra de forma dolorosa e simbólica uma trajetória marcada por militância, fidelidade política e dramas pessoais.

Frateschi foi uma figura importante nas bases do PT paulista, especialmente nos anos 1990 e 2000, quando atuou fortemente na organização partidária e na formação política de jovens militantes. Ele também era professor, articulador político e costumava participar de debates sobre democracia e direitos sociais.

Nas redes sociais, membros do partido e ex-colegas de parlamento expressaram tristeza e perplexidade com o ocorrido. Alguns destacaram que, além do lado político, Frateschi era um homem afetuoso, culto e leal aos amigos.

Enquanto isso, a polícia investiga as circunstâncias do surto que teria levado o filho ao ataque. Informações iniciais apontam que o rapaz vinha apresentando comportamento instável nos últimos dias, mas ainda não há detalhes sobre diagnóstico médico ou acompanhamento psicológico.

A tragédia reacende debates sobre saúde mental e violência doméstica, temas que têm ganhado cada vez mais espaço no noticiário, especialmente após casos recentes de ataques familiares e surtos registrados em diferentes regiões do país.

O corpo de Paulo Frateschi será velado em São Paulo, e a cerimônia deve reunir figuras importantes do PT e da política nacional, além de amigos e familiares devastados com o desfecho de uma história já marcada por tantas perdas.



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