Esses são os sintomas que podem indicar que uma pessoa possa está tendo um AVC

O acidente vascular cerebral, mais conhecido como AVC, é daquelas urgências médicas que não dão aviso prévio. Ele acontece quando o sangue para de chegar em uma parte do cérebro ou quando ocorre um sangramento ali dentro, bagunçando tudo em questão de segundos. Parece exagero, mas não é: as células cerebrais começam a sofrer quase que imediatamente por falta de oxigênio. Daí pra gerar sequelas sérias — ou até algo pior — é um pulo. Por isso, identificar rápido e correr pro atendimento faz toda a diferença, literalmente entre falar e não falar, entre caminhar e não caminhar.

Pra ajudar nessa identificação, o Ministério da Saúde e a SBAVC usam duas “ferramentas” simples: o protocolo internacional FAST, que muita gente já viu em filmes americanos, e a versão mais brasileira e fácil de lembrar, a sigla SAMU. A ideia das duas é a mesma: mostrar que os sinais do AVC aparecem de repente, do nada, em alguém que estava normal até dois minutos antes.

O Teste SAMU, que qualquer pessoa pode fazer num momento de suspeita, funciona assim:

S – Sorriso: peça pra pessoa sorrir. Se um lado do rosto ficar caído ou torto, ligue o alerta.
A – Abraço: peça para levantar os dois braços. Se um “despenca”, pode ser perda de força.
M – Música/Mensagem: peça pra cantar um trechinho ou repetir uma frase simples. Se a fala embolar, sair enrolada ou estranha, tem algo errado.
U – Urgência: suspeitou de qualquer um dos sinais? Não espere. Ligue 192 imediatamente.

No caso do AVC, cada minuto é como jogar fora uma parte do cérebro — e isso não é força de expressão. Além desses sinais do SAMU, outros sintomas podem aparecer de repente: perda inesperada da visão (principalmente em um olho só), visão dupla, tontura forte acompanhada de dificuldade pra caminhar, sensação de “pernas bambas”, dor de cabeça abrupta e totalmente fora do padrão, confusão mental e formigamentos incomuns.

A cardiologista Luciana Barbosa, do Sírio-Libanês de Brasília, explica que o coração tem um papel gigante no risco de AVC, especialmente em pessoas mais velhas. Segundo ela, arritmias, falhas na contração do coração e placas de gordura nas artérias são causas muito comuns. Essas condições ainda se somam a fatores de risco conhecidos: diabetes, hipertensão, colesterol alto, obesidade e o próprio cigarro — que, aliás, voltou a ser alvo de campanhas em 2024 depois do aumento no consumo entre jovens.

Luciana chama atenção especial para a pressão alta. “A hipertensão descontrolada pode causar tanto o AVC isquêmico quanto o hemorrágico”, diz ela. Ou seja, não basta “medir quando lembra”. Controlar a pressão no dia a dia é fundamental.

O neurologista Flávio Sekeff Sallem, do Hospital Japonês Santa Cruz, reforça que o AVC geralmente chega sem aviso. Ele descreve como “um desligamento” repentino do corpo. Os primeiros 60 a 90 minutos são considerados a fase de ouro do atendimento — quanto mais rápido o tratamento começa, maiores as chances de reversão total.

Depois de 3 a 4,5 horas, a janela para os tratamentos mais eficazes começa a se fechar. E, mesmo que os sintomas sejam leves, Flávio orienta a não ignorar nada. Em suas palavras: “É melhor errar pelo excesso de cuidado”.

Mesmo com sintomas fortes, a confirmação depende de avaliação médica. E, como lembra Luciana, a tomografia inicial pode vir normal. Não significa que não houve AVC — só que as alterações às vezes demoram um pouco para aparecer nas imagens.

Existem hoje tratamentos que desobstruem artérias e reduzem sequelas, mas todos dependem de agir rápido. Saber reconhecer os sinais, aplicar o teste SAMU e chamar ajuda imediatamente



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