Esse é o motivo que pode fazer Bolsonaro ser preso ainda este ano

O destino do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete nomes de peso do antigo governo pode estar selado antes mesmo da virada do ano. Segundo informações de bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), se todos os recursos apresentados pelas defesas forem negados, eles podem acabar atrás das grades até dezembro. A notícia caiu como uma bomba no meio político, já que as penas aplicadas variam de 16 a 27 anos de prisão, dependendo da participação de cada um no que ficou conhecido como “trama golpista”.

A lista de condenados é extensa e reúne figuras que até pouco tempo atrás circulavam pelos corredores do poder. Além de Bolsonaro, aparecem nomes como Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), e o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha. Também foram condenados Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, Augusto Heleno, que chefiava o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Mauro Cid, o ajudante de ordens que virou peça central em várias investigações, Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, e Walter Braga Netto, que chegou a ser candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro em 2022.

A decisão veio da Primeira Turma do STF, na quinta-feira, 11 de setembro. Mas, como é de praxe, o cumprimento das penas só começa depois que todos os recursos forem analisados. O tribunal tem até 60 dias para publicar o acórdão, documento que traz o voto detalhado dos ministros. Depois disso, os advogados ainda podem apresentar embargos de declaração, um tipo de recurso que serve basicamente para pedir explicações sobre pontos considerados contraditórios ou omissos. O detalhe é que esse recurso raramente muda o desfecho de um julgamento. Ou seja, se for rejeitado, a execução das penas pode ser determinada já neste ano.

No campo político, a repercussão é intensa. Os aliados de Bolsonaro falam em perseguição, enquanto críticos dizem que a Justiça está apenas cumprindo seu papel. Nas redes sociais, o assunto domina os trending topics, com hashtags pró e contra o ex-presidente disputando espaço, como já virou rotina em tempos de polarização. Em Brasília, a temperatura também subiu, e não são poucos os parlamentares que tentam se equilibrar entre a defesa institucional das Forças Armadas e a necessidade de não se associar diretamente ao desgaste de Bolsonaro.

Outro ponto importante é onde essas penas serão cumpridas. Pela lei, militares de alta patente e delegados da Polícia Federal têm direito a prisão especial, o que significa que não vão dividir cela com presos comuns. As opções colocadas à mesa incluem o Complexo Penitenciário da Papuda, a Superintendência da Polícia Federal e até instalações do Comando Militar do Planalto, todas em Brasília. Quem terá a palavra final sobre esse detalhe é o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo e figura central em praticamente todas as decisões envolvendo o bolsonarismo nos últimos anos.

Vale lembrar que Moraes já foi alvo de ataques e campanhas difamatórias por parte de apoiadores do ex-presidente, o que adiciona ainda mais tensão ao cenário. Não são poucos os analistas que acreditam que a decisão final sobre a prisão poderá gerar protestos de rua, a exemplo do que vimos em 2021 e 2022, quando manifestações em frente aos quartéis pediam “intervenção militar”.

Enquanto isso, Bolsonaro segue em silêncio público, falando apenas com aliados próximos. Nos bastidores, corre a informação de que ele estaria preocupado não apenas com sua situação pessoal, mas também com o efeito em sua família e em seu capital político. Afinal, já se discute se essa condenação pode ou não inviabilizar de vez sua volta ao cenário eleitoral.

O fato é que, a cada recurso negado, a corda aperta mais. Se o Supremo mantiver o ritmo e rejeitar as tentativas de reverter a decisão, a cena de Bolsonaro e seus antigos ministros indo para a prisão pode se tornar realidade antes mesmo da chegada do Natal.



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