O acidente que tirou a vida da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de apenas 21 anos, continua repercutindo e levantando uma série de questionamentos sobre a segurança das atividades de aventura realizadas na Ponte do Esqueleto, em Limeira, interior de São Paulo. Agora, um novo relato chamou atenção e aumentou ainda mais as dúvidas em torno do caso.
A empresária Thais Macedo revelou que participou de um salto de rope jump exatamente um dia antes da tragédia acontecer. Em entrevista ao portal Bacci Notícias, ela contou detalhes do que viu no local e afirmou que algumas situações a deixaram bastante preocupada, apesar de inicialmente acreditar que a equipe seguia todos os protocolos necessários para garantir a segurança dos participantes.
Segundo Thais, aproximadamente 40 pessoas realizaram saltos na sexta-feira (12). Entre elas havia adultos, adolescentes e até crianças. Ela relatou que sentia muito medo da altura e, por isso, pediu diversas vezes para que os equipamentos fossem conferidos antes de se lançar da ponte.
De acordo com a empresária, os funcionários atenderam aos pedidos e verificaram repetidamente os fechos e as cordas. Ela lembra que pelo menos cinco conferências foram feitas. Além disso, explicou que os instrutores procuravam tranquilizar os participantes conversando de maneira descontraída para diminuir o nervosismo antes do salto.
Uma das modalidades oferecidas era conhecida como “aviãozinho”. Nela, a pessoa é orientada a abrir os braços durante a queda, simulando a sensação de voo. Para Thais, tudo parecia organizado em um primeiro momento. Porém, nem tudo ocorreu de forma tão tranquila quanto parecia.
O momento que mais a assustou aconteceu quando ela e o namorado observaram dois funcionários mexendo em uma corda que apresentava problemas. Segundo o relato, os trabalhadores tentavam improvisar um reparo utilizando silver tape e um pedaço de outra corda.
A cena causou estranheza imediata. Thais contou que chegou a questionar a situação e demonstrou preocupação com a possibilidade de aquele equipamento ser usado novamente nos saltos. Ela afirmou que, após o questionamento, a corda não voltou a ser utilizada, mas o episódio deixou um clima de insegurança no ambiente.
“Ficamos com medo de que aquela corda pudesse arrebentar durante um salto”, relatou.
Ela também disse ter percebido conversas reservadas entre membros da equipe logo após o problema ser identificado. No entanto, ninguém explicou aos participantes o que realmente estava acontecendo.
Quando soube da morte de Maria Eduarda no sábado (13), poucas horas depois de ter participado da mesma atividade, a empresária afirma que ficou em estado de choque.
Segundo ela, a sensação foi de incredulidade. “Eu fiquei trêmula. Poderia ter sido comigo ou com qualquer outra pessoa que saltou naquele dia. Apenas agradeci a Deus pelo livramento e pedi proteção”, declarou.
Thais não escondeu a indignação ao comentar as informações divulgadas sobre o acidente. Para ela, é difícil entender como uma falha tão grave poderia passar despercebida por vários profissionais que estavam acompanhando a operação.
As investigações conduzidas pelas autoridades apontam, até o momento, para uma possível falha no procedimento de segurança. A principal hipótese é que a corda responsável por proteger Maria Eduarda não tenha sido conectada corretamente antes do salto.
A jovem caiu de uma altura estimada em cerca de 40 metros. Equipes de resgate foram acionadas rapidamente e prestaram socorro no local, mas ela não resistiu aos graves ferimentos.
O caso teve desdobramentos imediatos. Três homens responsáveis pela atividade foram presos em flagrante. A prisão foi mantida posteriormente, e eles acabaram sendo indiciados por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte. Outros três envolvidos foram ouvidos pelas autoridades e liberados após prestarem esclarecimentos.
Bastante emocionada, Thais voltou a questionar a postura da empresa responsável pelos saltos. Para ela, a justificativa de que a segurança sempre foi prioridade não combina com o que aconteceu.
“Eles dizem que prezam pela segurança, mas alguma coisa falhou. Houve falta de atenção. A Eduarda tinha toda uma vida pela frente, sonhos, planos e projetos. É muito triste pensar que tudo terminou dessa forma tão repentina”, lamentou.