Na manhã desta terça-feira, 29 de julho, o clima político em Brasília esquentou mais uma vez — e não foi só por causa do calor típico da capital. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, resolveu soltar o verbo contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), num tom mais direto e cortante do que o habitual. Durante uma coletiva no Palácio do Itamaraty, ela chamou o parlamentar de “traíra” e afirmou que ele deveria perder o mandato por “crime de lesa-pátria”.
“Isso aí é um traíra mesmo”, disparou Gleisi, sem rodeios. “Comete crime contra o Brasil, contra a nossa soberania. Um sujeito desses não deveria ter o direito de continuar ocupando uma cadeira no Congresso. Eu espero de verdade que a Câmara tome providências. Esse tipo de comportamento não pode mais ser tolerado.”
A fala da ministra vem em meio a uma série de tensões entre governo e oposição, que só aumentaram nos últimos meses. O episódio mais recente foi a repercussão de declarações polêmicas de Eduardo Bolsonaro em redes sociais, onde ele teria dado apoio a pautas consideradas antidemocráticas por alguns setores do governo e da sociedade civil. Essa postura já vinha sendo observada com preocupação, mas agora parece que o caldo entornou de vez.
Gleisi, que já foi presidente do PT e é conhecida por não medir palavras, também deixou claro que sua fala não é só desabafo pessoal. Ela quer ação. “O Congresso precisa se posicionar. Não dá pra continuar fazendo de conta que não vê. A gente tá falando de alguém que atua contra os interesses do país. Não é só discurso inflamado, é prática perigosa.”
A reação do núcleo bolsonarista, como era de se esperar, não demorou. Alguns aliados do deputado saíram em sua defesa nas redes sociais, chamando a ministra de “autoritária” e acusando o governo de querer censurar parlamentares. Mas, por outro lado, teve gente no próprio Congresso que começou a admitir, nos bastidores, que o comportamento de Eduardo pode estar ultrapassando os limites do aceitável até mesmo dentro da oposição.
Essa discussão toda também acende o alerta para uma questão mais ampla: até onde vai a liberdade de expressão de um deputado? Existe um limite entre o discurso político e a incitação ao desrespeito institucional? Essas perguntas não têm respostas fáceis, mas estão cada vez mais presentes no debate público.
Vale lembrar que o Brasil atravessa um período delicado, com polarizações acentuadas e uma democracia que ainda sente os ecos dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Dentro desse cenário, o papel dos parlamentares deveria ser o de pacificar, construir pontes, e não jogar gasolina na fogueira.
A fala de Gleisi pode até parecer dura pra alguns, mas pra outros soa como um grito de alerta. Afinal, até quando a Câmara vai tolerar atitudes que beiram a sabotagem institucional? Fato é que a pressão agora tá na mão dos deputados. Eles vão agir? Ou vai ficar por isso mesmo?
Por enquanto, Eduardo Bolsonaro ainda segue firme no cargo, mas o episódio mostra que o clima anda bem carregado por ali. Se a ministra vai conseguir que algo aconteça de fato, só o tempo (e o Congresso) dirá. Mas uma coisa é certa: a paciência, pelo visto, tá acabando. E rápido.