Aos 53 anos, Eliana começa uma nova etapa na carreira — e não é exagero dizer que é uma das mais simbólicas. Depois de anos segurando firme as tardes de domingo no SBT, com audiência estável e público fiel, ela agora troca de casa e se prepara para estrear na TV Globo. O novo programa, “Em Família”, estreia neste domingo, dia 15 de março, cercado de expectativa e, claro, comentários nas redes sociais.
Mesmo com mais de três décadas de televisão nas costas, Eliana garante que o tal “frio na barriga” continua ali, firme e forte. Em conversa recente com o jornal O Globo, ela foi direta: o nervosismo nunca foi embora — e nem quer que vá. Segundo a apresentadora, essa sensação é o que mantém o respeito pelo trabalho. É o que faz acordar cedo, revisar roteiro, pensar em cada detalhe. Não é só entrar no palco e sorrir. Tem bastidor, tem pressão, tem cobrança.
Ela comenta que sente esse frio há 35 anos. E não mudou nada. Pelo contrário, talvez até aumente quando o desafio é maior. Estrear em uma nova emissora, em um horário historicamente disputado, não é pouca coisa. Ainda mais num momento em que a televisão aberta enfrenta concorrência pesada do streaming, dos cortes nas redes sociais, do público cada vez mais disperso. Não é o mesmo cenário de 20 anos atrás — e isso pesa.
Um ponto que a própria Eliana faz questão de destacar é o fato de ser, novamente, a única mulher à frente de um programa dominical na TV aberta. Pode parecer detalhe, mas não é. Ela diz que essa conquista não pode ser invisibilizada. E tem razão. Durante muito tempo, os domingos foram território praticamente exclusivo de apresentadores homens.
Quando começou a ocupar esse espaço, há cerca de duas décadas, os nomes que dominavam o dia eram gigantes da televisão brasileira: Silvio Santos, Fausto Silva e Gugu Liberato. Era um cenário consolidado, difícil de furar. Muita gente, segundo ela mesma já contou em outras entrevistas, duvidava que daria certo colocar uma mulher nesse posto. Mas deu. E não foi da noite pro dia.
Não foi fácil construir esse espaço. Teve comparação, teve crítica, teve aquela desconfiança silenciosa que muitas vezes nem é dita abertamente. Mas com o tempo, consistência e trabalho, ela se firmou. E isso precisa ser lembrado, principalmente num momento em que tanto se fala sobre representatividade e espaço feminino na mídia — tema que, inclusive, tem sido debatido com mais força nos últimos anos.
Sobre o novo programa, “Em Família”, a proposta é clara: reunir diferentes gerações na frente da TV. A ideia mistura auditório, convidados famosos, histórias de anônimos e competições musicais. Um formato que conversa com o que o público brasileiro já mostrou gostar, mas com uma tentativa de atualizar a linguagem.
Segundo Eliana, o diferencial está em colocar as famílias no centro da narrativa. Mostrar os “Brasis” que existem dentro do Brasil — expressão que ela usa para falar da diversidade cultural, social e regional do país. Não é só entretenimento pelo entretenimento. Ou pelo menos não deveria ser.
Num ano em que a televisão aberta tenta se reinventar para não perder ainda mais espaço para as plataformas digitais, a estreia dela acaba simbolizando também esse esforço de renovação. É uma aposta alta. Pode dar muito certo, pode enfrentar resistência inicial — o público é imprevisível.
Mas uma coisa é certa: experiência ela tem de sobra. E, gostem ou não, Eliana continua sendo um dos nomes mais reconhecidos da TV brasileira. Agora é esperar domingo chegar, ver como o público reage e acompanhar os próximos capítulos dessa nova fase. Porque, se tem algo que a televisão ensina, é que nada é garantido — e é justamente isso que deixa tudo mais interessante.