Eduardo Bolsonaro voltou a chamar atenção nesta quinta-feira (6 de agosto) após fazer uma declaração envolvendo a possibilidade de um futuro impeachment de seu irmão, Flávio Bolsonaro, caso ele seja eleito presidente. Segundo Eduardo, um eventual afastamento de Flávio do cargo não teria grandes consequências políticas se Alfredo Gaspar estivesse ocupando a vice-presidência, já que o deputado assumiria o comando do país em uma situação como essa.
A fala do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro gerou repercussão porque trouxe à tona uma discussão que normalmente acontece apenas depois de uma eleição: a possibilidade de substituição do presidente em caso de crise. Eduardo tratou a escolha do vice como uma espécie de garantia para a continuidade do projeto político, antes mesmo do início oficial da disputa eleitoral.
Alfredo Gaspar, deputado federal pelo PL de Alagoas, foi confirmado como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro. A escolha consolidou uma composição considerada “puro-sangue” do Partido Liberal, depois que as negociações com outras siglas, como PP e Republicanos, não avançaram da maneira esperada.
O nome de Gaspar, porém, também trouxe debates e questionamentos. O parlamentar é citado em uma denúncia registrada na Polícia Federal envolvendo acusações de estupro de vulnerável e fraude processual. Ele nega todas as acusações e afirma que está sendo alvo de perseguição política. Segundo sua defesa, existe um exame de DNA que comprovaria sua inocência no caso.
A denúncia envolve uma adolescente de 13 anos que teria engravidado e uma suposta tentativa de silenciar a família da jovem. Gaspar afirma que não teve participação nos fatos e sustenta que outra pessoa teria sido responsável pelo crime, apontando que um parente dele seria o verdadeiro acusado pela vítima.
A escolha do deputado alagoano também provocou críticas dentro do próprio campo político ligado ao bolsonarismo. O pastor Silas Malafaia, por exemplo, comentou que Flávio teria perdido uma oportunidade de escolher uma mulher para a vaga de vice, estratégia que poderia ajudar a diminuir a resistência de parte do eleitorado feminino.
Mesmo com as críticas, Eduardo Bolsonaro saiu em defesa da composição e publicou uma mensagem nas redes sociais afirmando que, com Alfredo Gaspar como vice, não haveria vantagem em tentar retirar Flávio Bolsonaro do poder. “Com @Alfredogaspar_ não compensará fazer impeachment de @FlavioBolsonaro”, escreveu o deputado.
A declaração rapidamente viralizou e dividiu opiniões entre apoiadores e críticos da família Bolsonaro. Nas redes sociais, muitos usuários ironizaram a fala e questionaram a necessidade de discutir um impeachment antes mesmo de uma eventual vitória eleitoral.
“Impeachment do que, doente? Nem vocês acreditam que Lula vai perder para o inútil do Flávio”, comentou um internauta. Outro escreveu: “Ou seja. Conseguiram achar um vice mais bosta que o Flávio, não foi fácil. Por isso a demora”. Já um terceiro usuário afirmou em tom de brincadeira: “Pode ficar tranquilo. Não vai rolar impeachment do Flávio”.
O episódio mostra como a escolha do vice-presidente se tornou um dos pontos mais observados na formação das chapas para a próxima disputa presidencial. Além da função institucional prevista na Constituição, o cargo passou a ser visto também como uma peça estratégica para garantir alianças, estabilidade política e continuidade de um governo em momentos de dificuldade.
A movimentação dentro do PL indica que a campanha deve ser marcada por intensos debates, principalmente sobre alianças, rejeição eleitoral e a tentativa de fortalecer a imagem dos candidatos antes da corrida oficial pelo Palácio do Planalto.
Com @Alfredogaspar_ não compensará fazer impeachment de @FlavioBolsonaro .
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) August 5, 2026