O cenário político brasileiro ganhou mais uma faísca de tensão nos últimos dias. Uma carta vinda direto do governo dos Estados Unidos, endereçada ao Rio de Janeiro e assinada por James Sparks — representante da DEA, a famosa agência antidrogas americana — deixou diplomatas e especialistas em direito internacional de orelha em pé. O documento, datado de terça-feira (4), foi enviado ao secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos, e oferecia “apoio irrestrito” no combate ao narcotráfico. Até aí, tudo bem. O problema é que esse gesto acaba, na prática, driblando os canais oficiais do governo federal, o que reacendeu o debate sobre interferência estrangeira em assuntos internos do país.
A carta, revelada pela coluna do jornalista Paulo Cappelli, do portal Metrópoles, chegou num tom aparentemente amigável. Sparks expressou condolências pelas mortes dos quatro policiais durante a Operação Contenção, no Complexo do Alemão, e exaltou a “coragem e o sacrifício” das forças de segurança do Rio. No entanto, o trecho que mais chamou atenção — e acendeu o alerta em Brasília — foi o que dizia oferecer “qualquer apoio que se faça necessário”. Uma frase vaga, mas que, para quem entende de diplomacia, abre uma brecha perigosa: a possibilidade de ações diretas dos EUA em solo brasileiro sob o argumento de “cooperação internacional”.