Donald Trump detona COP30 e questiona construção de estrada na Amazônia

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a causar barulho nas redes neste domingo (9). O republicano fez críticas pesadas à construção da Avenida da Liberdade, em Belém (PA) — uma obra de cerca de 13 quilômetros que, segundo ele, teria “devastado completamente” parte da Floresta Amazônica. O comentário foi feito na Truth Social, rede social criada pelo próprio Trump, e rapidamente virou assunto entre políticos e ambientalistas.

Na publicação, o ex-presidente americano escreveu:

“Eles devastaram completamente a Floresta Amazônica no Brasil para construir uma rodovia de quatro faixas para ambientalistas circularem. Virou um grande escândalo!”

Trump ainda compartilhou uma matéria da Fox News, que alegava que mais de 100 mil árvores teriam sido derrubadas para a obra sair do papel. A emissora conservadora, aliás, vem nos últimos meses intensificando críticas à política ambiental do governo Lula, principalmente por conta da COP30, que começa nesta segunda-feira (11) na própria Belém.

Governo reage

Em resposta, o governo brasileiro rebateu as acusações. A Secretaria Extraordinária para a COP30 informou que a construção da Avenida da Liberdade não faz parte das 33 obras estruturantes do governo federal voltadas para o evento internacional. Segundo o comunicado, o projeto foi licitado antes mesmo de Belém ser escolhida como sede da conferência.

Ainda de acordo com a pasta, o objetivo da obra é melhorar a mobilidade e o acesso das comunidades locais, levando infraestrutura, transporte e serviços básicos para áreas antes isoladas.
“Não há relação direta com a COP30. Trata-se de uma obra regional, planejada há anos e que beneficia a população local”, informou a secretaria, em nota.

Mesmo assim, o debate esquentou. Críticos apontam que, independentemente da ligação com a conferência, a construção deveria ter passado por uma análise ambiental mais rigorosa. Já apoiadores dizem que o projeto representa progresso e desenvolvimento — uma discussão antiga e quase sempre polêmica quando o assunto é Amazônia.

Clima político e ambiental

A troca de farpas acontece às vésperas da COP30, evento que promete reunir chefes de Estado, líderes ambientais e ONGs de todo o mundo. A expectativa é que o encontro sirva como um termômetro sobre o futuro das políticas climáticas e o papel do Brasil na preservação da floresta.
Trump, porém, não enviará representantes de alto escalão para Belém. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, chegou a classificar o evento como “uma farsa” e disse que só deve participar “da próxima edição, para levar um pouco de bom senso”.

Conversas entre Lula e Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou recentemente que mantém a intenção de estreitar laços com os Estados Unidos, mesmo diante das críticas do republicano. Em entrevista na última terça-feira (4), Lula afirmou que pretende ligar novamente para Trump, caso as equipes diplomáticas dos dois países não consigam marcar uma reunião durante a COP30.

“Eu saí da reunião com o presidente Trump certo de que a gente vai estabelecer um acordo. Disse a ele que era muito importante que nossos negociadores começassem a conversar logo”, declarou o petista, com aquele tom firme e otimista que costuma usar em encontros internacionais.

Entre política e floresta

A discussão mistura diplomacia, meio ambiente e, claro, política — ingredientes que Trump sabe usar como poucos. O ex-presidente tenta retomar protagonismo global e já deixou claro que pretende disputar novamente as eleições americanas de 2028. No Brasil, o episódio reacendeu debates sobre soberania da Amazônia, pressões internacionais e até o uso político da pauta ambiental.

Enquanto isso, Belém vive dias de expectativa. A cidade foi toda reformada para receber a COP30, com hotéis lotados, trânsito intenso e um clima de “mundo olhando pra cá”. E, mesmo longe, Trump conseguiu — mais uma vez — roubar parte dos holofotes.



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