Padres conhecidos do grande público, como Fábio de Melo, Marcelo Rossi e Reginaldo Manzotti, têm algo em comum que vai além da fé que pregam todos os dias: eles já falaram abertamente sobre a depressão. Um tema que, até pouco tempo atrás, era tratado quase como tabu — principalmente dentro de ambientes religiosos. Hoje, porém, a conversa mudou, e isso diz muito sobre os tempos atuais.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão deve se tornar, até 2030, a doença mais comum do planeta. É um número que assusta, e não é pouco. E quando figuras públicas, como esses padres, se posicionam sobre isso, acaba trazendo uma certa identificação, sabe? Gente que talvez nunca imaginaria ouvir algo assim vindo deles.
Em uma entrevista antiga à TV Globo, Fábio de Melo já tinha aberto o coração. Ele contou que desde pequeno carregava uma tristeza difícil de explicar. Disse que era um menino melancólico, às vezes até sombrio. Algo que ele achava que era só parte da personalidade dele, mas que depois descobriu ter nome. E não é raro isso acontecer, muita gente passa anos sem entender o que está sentindo.
Já o padre Marcelo Rossi trouxe um relato mais recente, lá pro final de 2025. Durante uma missa, ele falou sobre um acidente doméstico que acabou mexendo muito com sua rotina. Foi aí que vieram os gatilhos. Ele mesmo admitiu que antes não acreditava muito em depressão, achava que era “frescura” — palavra forte, inclusive. Mas mudou de opinião depois que sentiu na pele. Disse que chegou ao fundo do poço e que a experiência fez ele compreender melhor o que tantas pessoas vivem diariamente.
E tem também o padre Reginaldo Manzotti, que não ficou de fora desse debate. Em uma de suas pregações, ele comentou que passou por momentos depressivos. Procurou ajuda, fez terapia, e destacou como isso foi importante pra entender o que estava acontecendo com ele. Inclusive, virou um defensor desse tipo de acompanhamento, o que é bem relevante vindo de alguém com tanta influência.
Esses relatos mostram uma coisa bem clara: a depressão não escolhe profissão, idade ou crença. Pode atingir qualquer pessoa. E talvez por isso mesmo esteja sendo chamada de “doença do século”. Segundo a OMS, pelo menos uma em cada cinco pessoas já sentiu, sente ou ainda vai sentir sintomas ligados à depressão em algum momento da vida. É muita gente.
Outro dado que pesa bastante é o número de suicídios relacionados à doença. São cerca de 800 mil casos por ano no mundo. No Brasil, a média é de 38 pessoas por dia. Um número que, sinceramente, é difícil até de imaginar. A maioria das vítimas são homens, representando mais de 70% dos casos. Muitos deles, inclusive, nunca chegaram a ter um diagnóstico formal.
Isso levanta um ponto importante: ainda existe muita resistência em buscar ajuda. Principalmente entre os homens. Seja por preconceito, medo ou até falta de informação. E aí o problema só cresce.
Por isso, quando figuras conhecidas falam sobre o assunto, acaba ajudando — e muito — a quebrar esse silêncio. Não resolve tudo, claro, mas já é um começo.
A depressão tem tratamento. E não, ninguém precisa enfrentar isso sozinho. Procurar um psicólogo ou psiquiatra pode fazer toda diferença, mesmo que no começo pareça difícil dar esse passo. Em momentos mais críticos, existe também o apoio do CVV (Centro de Valorização da Vida), pelo número 188. O atendimento é gratuito e funciona 24 horas por dia.
No fim das contas, falar sobre isso ainda é necessário. Porque, mesmo em 2026, tem muita gente sofrendo calado. E isso, definitivamente, não deveria ser normal.