Decisão sobre coronel causa revolta e pais de PM Gisele reage

A decisão de aposentar o tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto, publicada nesta quinta-feira (2 de abril), caiu como uma bomba na família da soldado Gisele Alves Santana. Ela foi encontrada morta em fevereiro deste ano, num caso que ainda mexe muito com quem acompanhou. O oficial, que está preso e é acusado de ter matado a própria esposa, passou a ter direito a salário integral — pelo menos no papel. E isso, claro, gerou uma revolta enorme.

O clima entre os familiares é de dor misturada com indignação. O pai de Gisele, José Simonal Telles, falou com a imprensa e não escondeu o sentimento. Segundo ele, tudo aconteceu rápido demais quando se trata do acusado, enquanto a família segue tentando lidar com o luto. “Pra aposentar ele foi rápido, né… pra minha filha ficou só o caixão e a saudade”, disse, visivelmente abalado.

A mãe, Marinalva Vieira Alves de Santana, também se pronunciou. Ela reforçou aquela sensação de impotência que muita gente sente nesses casos. Não é só tristeza, é algo mais pesado, como se faltasse justiça de verdade. E, sinceramente, dá pra entender.

José Simonal ainda questionou algo que vem sendo debatido nas redes sociais: o fato de o Estado ainda estar envolvido no pagamento. “Você acha justo a população pagar salário pra um cara desses?”, disparou. Ele chamou o acusado de covarde e disse que é revoltante imaginar que alguém suspeito de um crime tão grave ainda tenha esse tipo de benefício, mesmo que temporariamente.

A aposentadoria foi publicada no Diário Oficial de São Paulo. No documento, consta que o tenente-coronel teria direito ao salário integral. Porém, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o pagamento está suspenso desde o dia 18 de março, quando ele foi preso. Ainda assim, pra família, isso não muda muito a sensação de injustiça.

E olha, não é só a família que se revoltou não. Muita gente nas redes comentou o caso, principalmente depois que começaram a circular os valores. Dados do Portal da Transparência mostram que, em fevereiro de 2026, o coronel recebeu um salário bruto de quase R$ 29 mil, além de um abono de cerca de R$ 3 mil. Enquanto isso, Gisele ganhava pouco mais de R$ 7 mil por mês. Essa diferença chamou atenção e aumentou ainda mais a repercussão.

A Polícia Militar informou que a aposentadoria não impede que o caso siga na Justiça. Ou seja, ele ainda pode ser condenado e até perder definitivamente o salário, caso isso seja decidido judicialmente. Também foi aberto um conselho interno pra avaliar a possível expulsão dele da corporação — o que pode acontecer dependendo do andamento das investigações.

O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, determinou essa análise na mesma semana da aposentadoria. Pra alguns, isso mostra que o caso está sendo tratado com seriedade. Pra outros, ainda parece pouco diante de tudo que aconteceu.

No meio disso tudo, fica uma família destruída, tentando entender como as coisas chegaram a esse ponto. E fica também aquele debate que sempre volta: até onde vão os direitos de um acusado, e onde começa a sensação de justiça pra quem perdeu alguém?

Não é uma história simples, longe disso. E pelo jeito, ainda vai dar muito o que falar… porque quando envolve dor, dinheiro público e suspeita de crime, dificilmente termina rápido — ou sem deixar marcas.



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