Moradores de dois condomínios localizados na região da Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro, denunciaram uma nova forma de intimidação que estaria sendo praticada por integrantes do Comando Vermelho (CV). Segundo relatos, criminosos ligados à facção passaram a exigir o pagamento de uma taxa mensal de R$ 300 dos residentes dos conjuntos habitacionais situados na Estrada Rio do Pau, área que fica muito próxima de um dos acessos ao Complexo do Chapadão.
De acordo com as denúncias feitas por moradores, o episódio aconteceu na última segunda-feira (1º), quando cerca de 12 homens fortemente armados chegaram ao local. Testemunhas afirmam que os criminosos portavam fuzis e usavam uniformes semelhantes aos da Polícia Militar, o que teria causado ainda mais medo entre os moradores.
Ainda segundo os relatos, os homens convocaram uma reunião extraordinária com síndicos e representantes dos condomínios para comunicar uma nova determinação da facção. A principal exigência seria o pagamento mensal da chamada “taxa de segurança”, no valor de R$ 300 por residência.
Os traficantes também teriam informado que a ordem partiu de Edgar Alves, conhecido como Doca, apontado pelas autoridades como um dos principais líderes do Comando Vermelho na região. Além da cobrança mensal, outra imposição chamou atenção dos moradores: todos seriam obrigados a comprar botijões de gás de fornecedores ligados ao tráfico.
A medida gerou revolta porque os condomínios possuem acesso ao gás encanado, um serviço regular e legalizado. Mesmo assim, segundo os relatos, os moradores não poderiam utilizar essa alternativa e seriam forçados a adquirir o produto indicado pelos criminosos.
Essa não seria a primeira vez que algo parecido acontece. Moradores mais antigos afirmam que, aproximadamente sete anos atrás, integrantes da mesma facção tentaram implantar um esquema semelhante de cobrança. Na época, o clima de medo fez com que diversas famílias abandonassem seus imóveis. Após a repercussão negativa e a pressão gerada pela situação, os criminosos recuaram e a prática acabou sendo interrompida.
Agora, no entanto, a preocupação voltou a crescer. Caso a nova cobrança seja efetivamente implantada, estimativas apontam que a arrecadação mensal da organização criminosa poderá chegar a cerca de R$ 240 mil apenas nesses dois condomínios. O valor demonstra o potencial financeiro dessas extorsões, que vêm sendo denunciadas em diversas comunidades do Rio de Janeiro nos últimos anos.
Enquanto isso, uma decisão internacional envolvendo facções brasileiras passou a valer nesta sexta-feira (5). O governo dos Estados Unidos oficializou uma medida que classifica o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas internacionais.
O anúncio havia sido feito no dia 28 de maio pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, mas a determinação entrou em vigor agora. A medida amplia a pressão sobre integrantes e possíveis colaboradores dos grupos criminosos.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades americanas, o PCC é considerado atualmente a maior organização criminosa das Américas. A facção teria atuação em cerca de 30 países e reuniria aproximadamente 40 mil integrantes e associados.
Já o Comando Vermelho, de acordo com estimativas citadas pelas autoridades, possuiria cerca de 30 mil membros espalhados por 23 estados brasileiros, além de apresentar crescimento constante na disputa e controle de territórios.
Na prática, a classificação como organização terrorista internacional permite que pessoas, empresas ou instituições que forneçam qualquer tipo de apoio aos grupos possam sofrer sanções. Esse auxílio pode envolver dinheiro, transporte, serviços, logística ou qualquer outra forma de suporte que contribua para as atividades das facções.
A decisão dos Estados Unidos acontece em um momento em que o combate ao crime organizado volta a ocupar espaço central nos debates sobre segurança pública, tanto no Brasil quanto em outros países da América Latina.