Corrupção policial em SP tornou inquéritos em “balcões de negócios”, diz MP

Operação Bazaar: Investigação Revela Corrupção na Polícia Civil de São Paulo

Recentemente, uma decisão judicial autoriza a realização da Operação Bazaar, que visa desmantelar um esquema de corrupção que se infiltrou em vários departamentos da Polícia Civil de São Paulo. A operação, deflagrada na quinta-feira, 5 de outubro de 2023, foi impulsionada por denúncias do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que destacam práticas criminosas alarmantes, onde inquéritos policiais foram transformados em verdadeiros “balcões de negócios”.

O Cenário da Corrupção na Polícia Civil

O documento que embasa a operação menciona um “elevado grau de prática de corrupção sistêmica” envolvendo policiais do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), do DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania) e do 16° DP localizado em Vila Clementino. É alarmante pensar que, em uma instituição que deveria zelar pela segurança da população, a corrupção se tornou uma prática rotineira.

Como Funciona o Esquema?

Segundo as investigações do MPSP, alguns dos acusados, em uma lógica criminosa bem estruturada, controlavam as unidades policiais responsáveis pela investigação de crimes cometidos por uma organização criminosa específica. Para isso, foram feitos diversos pagamentos de vantagens indevidas, especialmente direcionados a delegacias do Deic, como a 3ª DIG (Delegacia de Fraudes Financeiras) e a 4ª DCCIBER.

Esses pagamentos foram identificados em conversas que foram obtidas através da análise de celulares apreendidos na operação Recidere, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2023. Durante essa operação, várias evidências de corrupção policial já haviam sido descobertas. O intuito dos pagamentos era claro: obstruir ou impedir o andamento dos inquéritos que investigavam os crimes da referida organização criminosa.

Impunidade Estrondosa

O MPSP afirma que os corruptores conseguiram seus objetivos, uma vez que, mesmo cientes dos atos ilícitos praticados, os policiais civis envolvidos nas investigações nunca foram responsabilizados. É um ciclo vicioso que perpetua a impunidade e fragiliza a confiança da população nas instituições de segurança pública.

Inquéritos Sem Resultados

Uma das questões mais alarmantes levantadas pela decisão do juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, é que um inquérito policial de 2021 foi conduzido pela Polícia Civil sem que houvesse indiciamento de qualquer membro da organização criminosa alvo da Operação Bazaar. Isso levanta sérias dúvidas sobre a eficácia e a integridade das investigações realizadas.

Pelo menos três empresas e três indivíduos foram investigados a fundo, mas o resultado parece ter sido frustrante. O que se revelou foi um “amplo e estruturado esquema de corrupção policial voltado à proteção de uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro”. Os envolvidos nesse esquema incluíam doleiros e outras figuras conhecidas por sua atuação em lavagem de capitais.

Ação Imediata da Justiça

Na mesma data da operação, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, abrangendo até mesmo delegacias de polícia, além de 11 mandados de prisão e seis de intimação. Entre os detidos, quatro eram policiais: dois investigadores, um escrivão e um delegado. Além deles, a ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza, e o empresário delator da Lava Jato, Leonardo Meirelles, também foram alvos da operação, embora Meirelles ainda permaneça foragido.

Consequências Futuras

O MPSP enfatiza que a organização criminosa atuava de forma coordenada para garantir a continuidade de suas práticas ilícitas e evitar que seus membros fossem responsabilizados. Para isso, a organização adotava uma série de estratégias, incluindo o pagamento sistemático de vantagens indevidas a agentes públicos e a manipulação de investigações.

A Operação Bazaar é realizada com o apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), que está promovendo correições extraordinárias em todas as unidades policiais envolvidas. A Polícia Civil de São Paulo anunciou também a realização de investigações administrativas em todas as delegacias onde foram cumpridos mandados de busca relacionados à operação.

É crucial que a sociedade esteja atenta e que se cobrem ações efetivas para que a corrupção não se torne a norma nas instituições encarregadas de proteger a população. A luta contra a corrupção deve ser um compromisso de todos.



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