Contrato de R$ 129 milhões entre mulher de Moraes e Banco Master é exposto

O contrato firmado entre o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e o Banco Master chamou atenção não apenas pelo valor, mas também pela forma como tudo veio à tona. O documento, que chegou a circular em grupos de jornalistas e analistas políticos, totalizava R$ 129 milhões, quantia que seria paga ao longo de 36 meses a partir do início de 2024. Na prática, o banco desembolsaria cerca de R$ 3,6 milhões por mês pelo serviço jurídico do escritório Barci de Moraes Advogados.

Esse escritório é comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, e, segundo informações já divulgadas, dois dos três filhos do ministro também atuam na banca. Isso acabou alimentando ainda mais o debate público, principalmente considerando o clima político e jurídico que o país vive neste fim de 2025 — onde qualquer detalhe vira munição para interpretações diversas.

A existência do contrato não foi descoberta de maneira comum. Ele apareceu após a Polícia Federal apreender o celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, durante a Operação Compliance Zero, deflagrada em meados do mês passado. A investigação mirava suspeitas de irregularidades financeiras do banco, e foi justamente na varredura dos aparelhos que os agentes encontraram a versão digitalizada do documento.

Quem revelou essas informações foi a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, em uma matéria que rapidamente repercutiu entre políticos, juristas e até influenciadores digitais — que, como sempre, deram seu toque de opinião, alguns mais exaltados que outros. Segundo Malu, o contrato não tratava de uma causa específica, como costuma acontecer em acordos desse porte. Em vez disso, tinha um caráter amplo, permitindo que o escritório representasse o banco em diferentes temas “conforme a necessidade”. Essa formulação deixou muita gente com a pulga atrás da orelha, até porque abre espaço para uma espécie de “pacote geral” de serviços jurídicos.

A coluna também informou que tentou contato tanto com Alexandre de Moraes quanto com o escritório Barci de Moraes Advogados, mas não obteve resposta até o momento. E, como é padrão nesse tipo de reportagem, o texto deve ser atualizado assim que houver algum posicionamento oficial — algo que, dependendo do assunto, pode nunca acontecer ou vir em um tom bem calculado.

Esse episódio se soma a outras notícias recentes envolvendo o nome da família Moraes. Em setembro, por exemplo, o jornalista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, divulgou que a família adquiriu uma mansão de 725 metros quadrados no Lago Sul, área nobre de Brasília conhecida por abrigar ministros, empresários influentes e diplomatas. O imóvel, avaliado em R$ 12 milhões, foi pago à vista — detalhe que naturalmente gerou curiosidade pública e uma série de comentários nas redes, variando desde análises econômicas improvisadas até teorias mirabolantes.

Ao juntar tudo — um contrato milionário, a operação da PF, a mansão recém-comprada e o momento político altamente inflamável — não surpreende que a repercussão tenha sido tão rápida. No Brasil atual, onde cada novo fato vira um flashback de alguma polêmica recente, casos assim tendem a ganhar vida própria.

Ainda assim, é importante reconhecer que contratos de grande porte entre bancos e escritórios de advocacia não são incomuns. Mas, quando envolvem figuras públicas, especialmente membros do STF, a lupa fica maior, as interpretações ficam mais enviesadas e o debate público ganha novas camadas. Às vezes até demais.



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