O Papa Francisco faleceu nesta segunda-feira, 21 de abril de 2025, aos 88 anos, deixando um legado de reformas e abertura na Igreja Católica. Com sua partida, inicia-se o processo de escolha de um novo líder, o que nos leva a refletir sobre o ditado popular nos corredores do Vaticano: “quem entra no conclave como papa sai como cardeal”. Isso significa que, muitas vezes, os favoritos para o papado não são os escolhidos.
Em 2013, quando o argentino Jorge Bergoglio foi eleito, poucos apostavam nele. Os principais nomes eram o brasileiro Odilo Scherer, o italiano Angelo Scola, o norte-americano Sean O’Malley e o canadense Marc Ouellet. No entanto, Francisco surpreendeu e assumiu o pontificado. Agora, com sua morte, surge a dúvida: quem será o próximo papa?
Especialistas apontam que Francisco não preparou um sucessor direto, mas definiu um perfil desejado. Segundo o vaticanista Filipe Domingues, “ele não construiu um sucessor natural. Nas conversas com as pessoas, ninguém sabe quem é o nome que, caso Francisco pudesse votar, ele votaria. Ninguém sabe porque não tem mesmo”. Isso ocorre porque Francisco diversificou o colégio cardinalício, tornando-o mais global e menos eurocêntrico. Muitos cardeais nem se conhecem pessoalmente, o que torna a escolha ainda mais imprevisível.
Durante seu pontificado, Francisco nomeou 253 cardeais, sendo 140 eleitores (com menos de 80 anos). Desses, 110 foram indicados por ele, 24 por Bento XVI e apenas seis permanecem do período de João Paulo II. Isso demonstra o impacto de Francisco na composição do colégio cardinalício.
O sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto acredita que o próximo papa deverá ser “um progressista moderado, capaz de consolidar as iniciativas de Francisco, mas sem levar a uma ruptura com os atuais descontentes”. Ele também destaca a importância de um líder que se oponha ao “hiperindividualismo nacionalista” e defenda a “solidariedade internacional”.
Por outro lado, o teólogo Gerson Leite de Moraes observa que, em tempos de ascensão da extrema-direita e enfraquecimento da Europa, há uma possibilidade de que um cardeal europeu seja escolhido para fortalecer a Igreja no continente.
Entre os nomes mais cotados para suceder Francisco, destacam-se:
- Luis Antonio Tagle (Filipinas): Conhecido como “o Francisco asiático”, Tagle é admirado por seu estilo pastoral e sensibilidade social.
- Pietro Parolin (Itália): Atualmente Secretário de Estado do Vaticano, Parolin é visto como um diplomata moderado e pragmático.
- Matteo Zuppi (Itália): Arcebispo de Bolonha, Zuppi tem se destacado por seus esforços em promover a paz e o diálogo inter-religioso.
- Jean-Claude Hollerich (Luxemburgo): Presidente da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia, Hollerich é conhecido por suas posições progressistas.
- Jean-Marc Aveline (França): Cardeal francês com forte perfil pastoral, Aveline é visto como uma opção de continuidade às reformas de Francisco.
- José Tolentino de Mendonça (Portugal): Poeta e teólogo, Tolentino é uma das vozes mais influentes do catolicismo contemporâneo.
Além disso, há especulações sobre a possibilidade de um cardeal brasileiro ser escolhido. Nomes como Dom Orani João Tempesta (Rio de Janeiro), Dom Paulo Cezar Costa (Brasília) e Dom Sérgio da Rocha (Salvador) têm sido mencionados. No entanto, analistas acreditam que a tendência é que o próximo papa seja europeu, dada a atual conjuntura internacional.
O processo de escolha do novo papa ocorrerá por meio de um conclave, onde os cardeais se reúnem em sigilo para deliberar sobre o sucessor. A eleição requer uma maioria de dois terços dos votos. Após a escolha, a tradicional “fumata branca” anunciará ao mundo o novo líder da Igreja Católica.