O cantor Compadre Washington, conhecido por sua trajetória no grupo É o Tchan, se envolveu em uma polêmica durante um show em Belém, no Pará, no último dia 8 de fevereiro. Um momento que, a princípio, parecia uma interação comum com o público acabou gerando uma grande repercussão negativa nas redes sociais, com acusações de transfobia contra o artista.
Tudo aconteceu quando Compadre Washington convidou uma fã ao palco. A jovem se apresentou como “Realeza Ketlen, a única do leque”, mas, em vez de seguir com a conversa normalmente, o cantor insistiu várias vezes para que ela dissesse o nome de batismo. “Amiga, fala a verdade para a tia. Você foi batizada com que nome?”, perguntou ele, diante do público.
Ketlen reafirmou seu nome, mas, após muita pressão, acabou revelando o nome de registro. Nesse momento, o cantor reagiu com empolgação e soltou frases como: “Aí, sim! Falou a verdade! Mentira tem perna curta”. A cena foi registrada em vídeo e logo tomou conta das redes sociais, gerando críticas ao comportamento do artista.
Repercussão negativa e críticas nas redes sociais
O episódio não passou despercebido. O vídeo rapidamente viralizou e rendeu uma enxurrada de críticas. Muitos internautas consideraram a atitude de Compadre Washington desrespeitosa e constrangedora, reforçando que situações como essa expõem e desvalidam a identidade das pessoas trans.
“Totalmente desnecessário e humilhante”, comentou um usuário no X (antigo Twitter). “Mais uma vez, transfobia sendo tratada como brincadeira”, escreveu outra pessoa. O assunto gerou debates sobre a importância do respeito ao nome social, um direito garantido por lei.
Pedido de desculpas nas redes sociais
Diante da repercussão negativa, Compadre Washington decidiu se pronunciar. Na manhã desta quinta-feira (20 de fevereiro), ele usou seu perfil no Instagram para pedir desculpas pelo ocorrido.
“Vocês sabem que sou uma pessoa animada, bem pra frente e feliz. Mas eu preciso falar algo sério. Quero me desculpar”, iniciou o cantor. Ele reconheceu que errou na abordagem e admitiu que a brincadeira passou dos limites.
“No show no Pará, fiz uma brincadeira que passou do tom. No mundo de hoje, isso não cabe mais. As coisas evoluíram e essas brincadeiras já não têm espaço”, afirmou.
Por fim, ele se dirigiu diretamente à jovem envolvida e ao público que se sentiu ofendido: “Quero pedir desculpas à Ketlen e a todas as pessoas que se incomodaram. Desculpa aí”.
Respeito ao nome social é garantido por lei
A discussão gerada pelo caso de Compadre Washington trouxe à tona um tema importante: o direito ao nome social. No Brasil, a legislação reconhece que pessoas trans têm o direito de serem chamadas pelo nome com o qual se identificam, independentemente do nome de registro. Órgãos públicos e privados são obrigados a respeitar essa identidade, e o uso de expressões discriminatórias ou pejorativas pode ser considerado violação de direitos.
Casos como esse mostram que, mais do que nunca, é essencial promover o respeito e a empatia. Pequenos gestos, como tratar alguém pelo nome que escolheu para si, fazem toda a diferença na construção de uma sociedade mais inclusiva.