Com ironia, Noblat manda recado para Bolsonaro e web reage

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou à carga mais uma vez. Ontem à noite, os advogados dele protocolaram um novo recurso no Supremo Tribunal Federal (STF), tentando reverter a condenação pesada de 27 anos e três meses de prisão. Bolsonaro foi sentenciado por crimes que soam quase cinematográficos: tentativa de golpe de Estado, abolição violenta da democracia, organização criminosa e danos ao patrimônio público e a bens tombados.

Mas, segundo o jornalista Ricardo Noblat, do portal Metrópoles, essa nova investida da defesa não deve ir muito longe. A Primeira Turma do STF, que é formada pelos ministros Flávio Dino, Cristian Zenin, Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes, tende a rejeitar o recurso. O quinto integrante, Luiz Fux, já tinha votado anteriormente pela absolvição do ex-presidente, mas pediu para ser transferido pra Segunda Turma. Mesmo que decida se manifestar de novo, deve continuar sendo voto vencido, isolado no meio dos colegas.

Com essa mudança, a Segunda Turma ganha uma nova dinâmica. Fux vai se juntar a André Mendonça e Nunes Marques, os dois indicados pelo próprio Bolsonaro — o que poderia, em tese, criar uma certa empatia ou alívio jurídico. Ainda assim, a ala considerada mais “independente” do Supremo segue com Gilmar Mendes e Dias Toffoli, que dificilmente comprariam a tese da defesa. O cenário, resumindo, é de que o recurso final também deve ser negado, mantendo tudo como está. Se isso se confirmar, caberá a Alexandre de Moraes determinar o início do cumprimento da pena, provavelmente em regime fechado.

Enquanto essa novela judicial se arrasta, Bolsonaro vive um dos momentos mais delicados da vida pessoal. De acordo com gente próxima, ele estaria enfrentando uma forte depressão, agravada por uma crise de soluços que teria durado mais de 30 dias — algo que já o incomoda desde os tempos da presidência. Fontes relatam que ele tem chorado com frequência, tanto pela prisão iminente, quanto pelo fracasso da proposta de anistia que seus aliados tentaram emplacar no Congresso e acabou não indo pra frente.

Pra piorar, até no campo internacional o ex-presidente se sente traído. Bolsonaro, que sempre admirou Donald Trump e chegou a imitá-lo em vários aspectos políticos, acreditava que o americano se manifestaria em sua defesa. Esperava, inclusive, algum tipo de pressão dos Estados Unidos sobre o STF brasileiro. Mas nada disso aconteceu. Pelo contrário: Trump acabou se aproximando de Lula, principalmente em assuntos econômicos e diplomáticos.

Segundo o Metrópoles, Trump até teria demonstrado solidariedade no começo, chamando Bolsonaro de “perseguido político”. Só que, ao perceber que Lula também passou por algo parecido, o ex-presidente americano mudou de tom. Agora, o foco entre os dois líderes é um tema bem mais pragmático: a negociação sobre o tarifaço norte-americano que está dificultando a importação de produtos brasileiros. Essa conversa, aliás, não tem prazo pra acabar — e nem sinal de que vá favorecer Bolsonaro em alguma coisa.

Politicamente isolado, e com o círculo de apoio cada vez menor, o ex-capitão parece viver o reflexo de seus próprios anos no poder. Noblat, no fim da sua coluna, foi direto: disse que Bolsonaro “precisa se acostumar com o novo cenário”. O jornalista aposta que o ex-presidente vai passar o Natal e o Réveillon de 2025 sozinho, longe do barulho de comícios e das lives que antes lotavam suas redes.

Enquanto isso, seus filhos seguem cada um o próprio rumo. Flávio Bolsonaro tenta garantir a reeleição ao Senado pelo Rio de Janeiro. Carlos planeja disputar uma vaga pelo Senado de Santa Catarina, e Eduardo, o mais internacional da família, estaria cogitando se mudar de vez pra Disney, nos Estados Unidos.

No fim das contas, o homem que um dia prometeu “mudar o Brasil” agora luta pra mudar o próprio destino — e talvez, pela primeira vez, sem plateia pra aplaudir.



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