Cientista afirma que o fim do mundo ocorrerá em setembro e causa repercussão

Uma antiga projeção sobre o crescimento da população mundial voltou a ganhar espaço nas redes sociais e acabou despertando curiosidade, principalmente por causa de uma data bastante específica: 13 de novembro de 2026. O dia aparece em um estudo publicado há mais de seis décadas e, por causa da forma como algumas publicações apresentam o assunto, muita gente passou a associar a data com uma possível previsão do fim do mundo.

Mas a história é bem diferente disso.

O estudo foi publicado em 1960 pela revista científica Science e teve como autores Heinz von Foerster, Patricia M. Mora e Lawrence W. Amiot. Na época, os pesquisadores analisaram os números disponíveis sobre o crescimento da população e tentaram entender o que poderia acontecer caso aquela tendência continuasse seguindo o mesmo ritmo durante os anos seguintes.

A partir dos cálculos realizados, os cientistas chegaram ao que chamaram de uma espécie de singularidade matemática. Dentro daquele modelo, a curva populacional apresentaria um comportamento extremo em 13 de novembro de 2026. É justamente essa data que, décadas depois, voltou a aparecer em postagens e vídeos compartilhados na internet.

O nome do trabalho também ajudou a aumentar a curiosidade em torno do assunto. O estudo recebeu o título “Doomsday”, expressão em inglês que pode ser traduzida como “Dia do Juízo Final”. Com isso, quando a pesquisa reaparece nas redes sociais, não é raro encontrar interpretações de que os pesquisadores teriam previsto que o mundo acabaria exatamente em novembro de 2026.

Só que essa interpretação não corresponde ao objetivo original do estudo.

Os autores não estavam afirmando que a humanidade seria extinta naquela data ou que aconteceria algum grande desastre global. O que existia era uma projeção matemática baseada nas condições demográficas observadas naquele período. Em outras palavras, eles pegaram uma tendência de crescimento e fizeram uma extrapolação para imaginar até onde aquela curva poderia chegar.

É importante lembrar também que uma projeção feita em 1960 não poderia levar em conta todas as mudanças que aconteceriam nas décadas seguintes. A população mundial passou por transformações importantes, assim como as taxas de natalidade e mortalidade, os avanços da medicina, as condições econômicas e até o comportamento das famílias em diferentes países.

Por isso, comparar aquela conta diretamente com a realidade de 2026 pode causar bastante confusão. Modelos matemáticos dependem das informações e das premissas utilizadas para serem construídos. Quando essas condições mudam, o resultado da projeção também pode deixar de representar o cenário real.

A repercussão atual mostra como determinados estudos antigos podem voltar a circular de maneira diferente nas redes sociais. Uma informação originalmente apresentada como uma experiência matemática acaba, muitas vezes, sendo transformada em uma suposta previsão do futuro.

No caso da data de 13 de novembro de 2026, não existe uma previsão científica de que o planeta irá acabar naquele dia. O que existe é uma marca dentro de um modelo matemático desenvolvido há mais de 60 anos.

Portanto, apesar do nome chamativo e da data exata despertarem preocupação, o estudo deve ser entendido dentro do contexto em que foi produzido. A chamada “singularidade” não representa uma profecia, mas o resultado extremo de uma projeção baseada em uma determinada tendência populacional.

Com a proximidade da data mencionada, é natural que o assunto volte a render comentários e discussões na internet. Ainda assim, vale separar o que realmente foi escrito pelos pesquisadores das interpretações que surgiram muito tempo depois. Afinal, matemática pode fazer projeções, mas isso não significa que ela esteja anunciando o fim do mundo.



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