A terça-feira (10/02) foi decisiva para a ex-deputada federal Carla Zambelli. A Corte de Apelação de Roma, na Itália, bateu o martelo e negou o pedido apresentado pela defesa dela. Os advogados tentavam afastar os juízes responsáveis por analisar o processo de extradição, alegando supostas “evidências de parcialidade” no colegiado. Não colou. A Justiça italiana decidiu manter os magistrados e seguir com o caso normalmente.
Com isso, o tribunal deixou claro que vai analisar o mérito do pedido de extradição já nesta quarta-feira (11/02). Ou seja, o foco agora não é mais discutir quem julga, mas sim se Zambelli será ou não enviada de volta ao Brasil. A ex-parlamentar está presa em Roma e acompanha o andamento do processo em território italiano, longe dos holofotes que costumava ter em Brasília.
Carla foi condenada no Brasil em dois processos que já transitaram em julgado — termo jurídico que, em resumo, significa que não cabem mais recursos. No primeiro caso, ela recebeu pena de 10 anos e 8 meses de prisão por ser considerada autora intelectual da invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O episódio gerou enorme repercussão política e jurídica na época, especialmente por envolver o sistema do Judiciário.
Além disso, pesa contra ela uma segunda condenação: 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Esse caso ficou marcado por imagens que circularam nas redes sociais às vésperas das eleições de 2022. Na ocasião, Zambelli perseguiu um homem pelas ruas de São Paulo, apontando uma arma para ele. A cena dividiu opiniões, inflamou debates e acabou virando peça central no processo que resultou na condenação.
Depois da decisão envolvendo o ataque hacker ao CNJ, a ex-deputada deixou o Brasil e se mudou para a Itália. A saída do país aconteceu pouco depois da condenação, o que levou a Procuradoria-Geral da República (PGR) a pedir sua prisão preventiva. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou o pedido. Na sequência, determinou a inclusão do nome de Zambelli na chamada lista vermelha da Interpol — mecanismo usado para localizar e prender foragidos internacionais.
Foi assim que, no dia 29 de julho, ela acabou presa em um apartamento em Roma. As autoridades italianas apontaram “grave risco de fuga” caso ela permanecesse em liberdade. Esse ponto pesou bastante na decisão de mantê-la detida enquanto o pedido de extradição é analisado. Nos bastidores, comenta-se que a defesa tenta ganhar tempo, mas a situação não é simples.
O governo brasileiro formalizou o pedido de extradição, que agora está sob avaliação das autoridades italianas. A decisão da Corte de Apelação em negar a substituição dos juízes indica que o processo seguirá seu curso sem interferências nesse sentido. Ainda não há uma definição final, mas o clima é de expectativa — tanto no meio político quanto jurídico.
Vale lembrar que o caso de Zambelli ocorre em um momento delicado da política brasileira, ainda marcada por tensões pós-eleitorais e investigações envolvendo figuras públicas. Não é exagero dizer que cada novo desdobramento gera repercussão imediata nas redes sociais e nos bastidores de Brasília.
Agora, resta saber qual será o entendimento da Justiça italiana sobre o pedido de extradição. Se autorizado, Zambelli deverá retornar ao Brasil para cumprir as penas determinadas. Caso contrário, o imbróglio jurídico pode se arrastar por mais tempo. De uma forma ou de outra, o caso segue chamando atenção e promete novos capítulos nos próximos dias.