A advogada Florence Rosa anunciou nesta quinta-feira (11) que não faz mais parte da equipe responsável pela defesa de Monique Medeiros. A decisão acontece justamente em um momento importante do processo, quando o caso entra na fase de recursos contra a sentença definida pelo Tribunal do Júri.
Monique ficou conhecida nacionalmente após ser julgada pela morte do filho, Henry Borel. Ela foi condenada por omissão diante das agressões sofridas pela criança e recebeu perdão judicial em relação à acusação de homicídio culposo. Agora, com o processo seguindo para uma nova etapa na Justiça, a defesa passa por mudanças.
Por meio de uma publicação nas redes sociais, Florence explicou os motivos que levaram ao seu desligamento do caso. Segundo ela, seu trabalho estava voltado principalmente para a atuação durante o julgamento em plenário. Com a chegada de um novo advogado para conduzir os recursos da sentença, surgiu uma diferença de entendimento sobre a estratégia jurídica que deveria ser adotada daqui para frente.
Na nota divulgada, a advogada afirmou que a decisão foi tomada em comum acordo entre as partes envolvidas. Ela destacou que existe uma incompatibilidade legítima de estratégias defensivas, algo que, segundo ela, pode acontecer naturalmente dentro do exercício da advocacia.
Florence também ressaltou que participou intensamente do julgamento, que se estendeu por 11 dias e chamou a atenção de todo o país. O caso teve ampla cobertura da imprensa e movimentou as redes sociais durante semanas, principalmente por causa da grande repercussão da morte de Henry.
Apesar da saída, a advogada afirmou que estava disposta a continuar acompanhando o processo após o júri. No entanto, ela reforçou que é fundamental existir alinhamento entre todos os profissionais que atuam na defesa de um cliente. Sem essa sintonia, a condução do trabalho acaba ficando comprometida.
Em outro trecho da manifestação pública, Florence declarou que divergências técnicas fazem parte da profissão e que a coerência estratégica é um dos pilares para garantir uma defesa adequada. A publicação rapidamente repercutiu entre pessoas que acompanham o caso desde o início.
O julgamento terminou com a condenação do ex-vereador Jairinho, apontado como responsável pelas agressões que resultaram na morte do menino. A pena fixada pela Justiça foi de 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão. Ele foi considerado culpado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e também coação no curso do processo.
Já a situação de Monique teve um desfecho diferente. Os jurados entenderam que ela foi omissa ao não impedir as agressões sofridas pelo filho. Por conta disso, recebeu uma pena de um ano e quatro meses de detenção. Entretanto, a punição acabou sendo extinta após a concessão do perdão judicial, decisão que gerou debates entre especialistas e também entre pessoas que acompanham o caso.
Mesmo após o encerramento do julgamento, a disputa judicial está longe de terminar. O Ministério Público decidiu recorrer da decisão envolvendo Monique e busca a anulação de parte do julgamento. A argumentação apresentada pela acusação é de que houve uma possível contradição na formulação de um dos quesitos submetidos aos jurados.
De acordo com o promotor Fábio Vieira, essa inconsistência pode ter influenciado diretamente a conclusão dos jurados e, consequentemente, o resultado final relacionado à mãe de Henry. Por esse motivo, o órgão pede que a questão seja reavaliada pela Justiça.
Enquanto os recursos são analisados, o caso continua despertando interesse da opinião pública. Mais de cinco anos após a morte de Henry Borel, o processo segue sendo um dos mais comentados do país e ainda promete novos desdobramentos nos tribunais brasileiros. As informações foram divulgadas inicialmente pelo jornal O Globo.