A vontade de fugir da correria das grandes cidades virou realidade pra muita gente nos últimos anos. Depois da pandemia então, esse movimento ficou ainda mais forte. Tem gente trocando apartamento apertado por sítio, internet lenta no meio do mato por paz mental, e parece que isso não é mais coisa de filme não. Em Itamonte, no Sul de Minas Gerais, um projeto diferente acabou chamando atenção justamente por seguir essa ideia de vida mais calma e conectada com a natureza.
No meio das montanhas da região, surgiu uma cabana moderna de dois andares feita praticamente pra desacelerar quem chega ali. O lugar virou uma especie de refúgio pra quem quer esquecer celular, barulho de trânsito e até um pouco das redes sociais. A construção foi pensada para ficar perto do sítio onde os donos já vivem com as duas filhas pequenas. A intenção deles nunca foi só investir em hospedagem. O plano era mudar completamente o estilo de vida da familia.
A cabana tem cerca de 72 metros quadrados e segue aquele formato em “A”, bem famoso em projetos de arquitetura mais minimalistas. O telhado desce quase até o chão e a frente inteira da casa é tomada por vidro. Durante o dia, a iluminação natural invade praticamente todos os cantos. Nas laterais, claraboias ajudam ainda mais a deixar o ambiente claro e arejado. O resultado é uma casa simples visualmente, mas muito aconchegante.
Do lado de fora, o espaço também impressiona bastante. Tem horta orgânica, fogueira no chão, sauna a lenha, chuveirão ao ar livre e até fontes de água preservadas. É aquele tipo de lugar onde o tempo passa diferente, sabe? Sem buzina, sem agenda apertada, sem aquela sensação de viver correndo atrás do relógio o tempo todo.
Por trás desse projeto estão a atriz Yanna Lavigne e o ator Bruno Gissoni. O casal decidiu trocar parte da rotina corrida da televisão pela tranquilidade do interior mineiro. Eles vivem no sítio junto com as filhas, Madalena e Amélia, tentando oferecer uma infância mais livre, com contato direto com a terra, os animais e a natureza. O espaço criado para receber hóspedes ganhou o nome de Matangi.
Segundo informações divulgadas pela revista Casa Vogue, a ideia nasceu justamente da vontade de dividir com outras pessoas a experiência que eles mesmos passaram a viver depois da mudança pro interior. E sinceramente, isso conversa muito com o momento atual. Muita gente anda cansada do excesso de informação, da ansiedade causada pelas redes e da pressão diária da vida urbana.
O projeto arquitetônico ficou nas mãos do arquiteto Saymon Dall Alba. O principal desafio era fazer o espaço funcionar bem sem perder a conexão com o lado de fora. Como a cabana tem aquele teto inclinado, organizar os ambientes internos exigiu criatividade. Mesmo assim, conseguiram deixar tudo funcional e confortável, principalmente nos espaços mais íntimos, como quarto e banheiro.
A decoração segue uma linha bem limpa, sem exageros. Nada de excesso de móveis ou enfeites caros. A proposta ali parece ser outra: menos aparência e mais sensação de bem-estar. Cada detalhe conversa com a paisagem verde do lado de fora. E talvez seja exatamente isso que faz tanta gente sonhar em viver algo parecido hoje em dia.
Mas nem tudo são flores na vida do campo também. Quem romantiza demais acaba esquecendo dos perrengues. Morar longe da cidade exige planejamento, paciência e bastante adaptação. Falta sinal de internet às vezes, aparecem insetos o tempo inteiro e até uma ida ao mercado precisa ser organizada antes. Não existe delivery chegando em 10 minutos igual acontece nas capitais.

Mesmo assim, para Yanna e Bruno, a troca valeu muito a pena. Eles parecem ter encontrado uma rotina mais leve, longe da pressão constante da fama e da vida urbana. No fim das contas, talvez o verdadeiro luxo hoje seja justamente isso: silêncio, tempo livre e a chance de ver os filhos crescendo com os pés descalços no quintal.