Márcia Lage, uma das figuras mais respeitadas do carnaval carioca, faleceu neste domingo, 19 de janeiro de 2025, no Rio de Janeiro, aos 64 anos. A causa foi leucemia, uma batalha que enfrentou com coragem, assim como tantas outras ao longo de sua vida e carreira. Reconhecida por sua criatividade e dedicação, Márcia foi responsável, ao lado do marido Renato Lage, pelo desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel neste ano.
O enredo da escola para 2025, intitulado “Voltando para o futuro – Não há limites para sonhar”, promete uma viagem intergaláctica com uma mensagem profunda sobre a reconexão da humanidade com sua essência. Em respeito ao falecimento de Márcia, a Mocidade suspendeu temporariamente todas as atividades sociais e ensaios.
Uma carreira marcada pela genialidade e amor ao Carnaval
Com mais de 30 anos dedicados ao carnaval, Márcia Lage deixa um legado inquestionável. Sua trajetória começou como assistente da lendária Rosa Magalhães no Império Serrano, em 1981, após concluir sua formação na Escola de Belas Artes. Lá, teve aulas com mestres como Fernando Pamplona e Maria Augusta, referências que ajudaram a moldar seu talento único.
Márcia não apenas cresceu no mundo do samba, mas ajudou a redefini-lo. Ao lado de Renato Lage, com quem começou a trabalhar em 1990, produziu desfiles inesquecíveis. Juntos, levaram à avenida a Mocidade em 12 carnavais, além de deixarem suas marcas em escolas icônicas como Salgueiro, Mangueira, Portela, Grande Rio e Império Serrano no Rio de Janeiro, e também em São Paulo, com o Império de Casa Verde e Vai-Vai.
Homenagens à artista e sua importância para o Carnaval
A notícia do falecimento de Márcia foi recebida com grande pesar pela comunidade carnavalesca e autoridades. A Mocidade Independente de Padre Miguel emitiu uma nota oficial nas redes sociais lamentando a perda:
“Márcia colocou seu talento a serviço da Mocidade por diversos carnavais. Mais uma vez, em trabalho conjunto com Renato Lage, ela assina o carnaval de 2025. Comunicamos o luto e a suspensão das nossas atividades sociais por tempo indeterminado, incluindo o ensaio de rua de hoje.”
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, também prestou sua homenagem, destacando o impacto de Márcia na cultura do estado:
“Márcia foi uma artista grandiosa e essencial para o brilhantismo do Carnaval do Rio de Janeiro. Seu trabalho faz parte da história cultural do nosso estado e continuará vivo nas memórias de todos que amam o Carnaval.”
Conquistas que definiram sua carreira
Márcia Lage colecionou momentos memoráveis e títulos ao longo de sua carreira. Na Mocidade, participou das campanhas vitoriosas de 1990, 1991 e 1996, quando a escola foi campeã do Grupo Especial. No Salgueiro, a dupla conquistou quatro vice-campeonatos, nos anos de 2008, 2012, 2014 e 2015, sempre impressionando com a riqueza de detalhes e criatividade nos desfiles.
Outro grande feito foi sua vitória no Grupo de Acesso A com o Império Serrano, em 2009. Fora da avenida, Márcia também se destacou como cenógrafa de televisão, mostrando que sua habilidade artística transcendia o carnaval.
Um adeus que marca a história do samba
O falecimento de Márcia Lage deixa uma lacuna no mundo do samba, mas seu legado permanece vivo. Seu trabalho refletia uma combinação de técnica, sensibilidade e paixão, sempre com um olhar inovador para o carnaval.
Enquanto a Mocidade se prepara para levar à avenida o último enredo assinado por ela e Renato Lage, a comunidade carnavalesca se une em luto, mas também em celebração à vida de uma mulher que dedicou sua existência à arte e à cultura brasileira.
A partida de Márcia reforça uma mensagem poderosa: o carnaval é muito mais do que um desfile. É uma forma de expressão, um palco para sonhos e, acima de tudo, um espaço onde artistas como ela eternizam suas histórias.