Cardiologista alerta para risco de infarto em mulheres depois dos 50 anos

O infarto fulminante tem sido uma das principais causas de morte entre as mulheres, especialmente na faixa dos 50 aos 60 anos. O assunto voltou a ganhar destaque recentemente, após a morte da bispa Keila Ferreira, uma das líderes da Assembleia de Deus em São Paulo. A perda inesperada acendeu um alerta sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de um terço de todas as mortes femininas no mundo. No Brasil, os dados não são menos preocupantes: o Ministério da Saúde aponta que essas enfermidades estão no topo da lista de causas de óbito entre as mulheres.

Sintomas do infarto em mulheres são diferentes dos homens

O cardiologista Gustavo Torres, do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), explica que o infarto agudo do miocárdio é a maior causa de morte por doença cardiovascular tanto em homens quanto em mulheres. Mas há uma diferença importante: os sintomas femininos nem sempre são os clássicos que vemos em homens.

Nos homens, o sinal mais comum é dor no peito que irradia para o braço esquerdo. Já nas mulheres, os sintomas podem ser mais sutis, o que pode atrasar o socorro e agravar o quadro. Entre os sinais de alerta estão:

✔ Fadiga extrema e sem motivo aparente
✔ Desconforto no peito, costas, mandíbula ou estômago
✔ Falta de ar inexplicável
✔ Náuseas e tontura
✔ Suor frio e sensação de desmaio

“Infelizmente, muitas mulheres não associam esses sintomas a um problema cardíaco e acabam demorando mais para buscar ajuda. Esse atraso pode ser fatal”, destaca Torres.

O estilo de vida moderno aumentou os riscos

Outro fator preocupante é que, nos últimos anos, o perfil de risco feminino se aproximou cada vez mais do masculino. A rotina exaustiva, o acúmulo de funções no trabalho e em casa, o estresse constante e a má alimentação são elementos que fazem a saúde do coração das mulheres ficar ainda mais vulnerável.

Além disso, há outros vilões silenciosos que aumentam as chances de um infarto:

❌ Hipertensão arterial
❌ Diabetes e colesterol alto
❌ Tabagismo
❌ Obesidade e sedentarismo
❌ Histórico familiar de doenças cardiovasculares

Torres explica que o acúmulo de gordura na região abdominal, por exemplo, está diretamente relacionado a um risco maior de doenças cardíacas. “Não é só o peso total que importa, mas onde essa gordura está localizada no corpo”, alerta o especialista.

Diagnóstico precoce e exames preventivos podem salvar vidas

A melhor forma de reduzir os riscos é fazer exames periódicos e adotar hábitos saudáveis. De acordo com estudos do Ministério da Saúde, uma em cada cinco mulheres brasileiras tem risco de sofrer um infarto. Para evitar esse problema, a recomendação é simples, mas essencial: controle da pressão arterial, monitoramento do colesterol e glicemia, além da prática regular de exercícios físicos.

“O ideal é que a avaliação cardiológica seja feita de maneira individualizada. Dependendo do caso, exames como teste ergométrico, ecocardiograma, cintilografia e cateterismo podem ser indicados para identificar problemas antes que eles se tornem graves”, explica Torres.

A rapidez no atendimento faz toda a diferença

Se há suspeita de infarto, o tempo é crucial. Cada minuto conta e pode determinar se a pessoa vai sobreviver ou não. “O infarto tem uma taxa de mortalidade de até 30% nas primeiras horas. O ideal é que, ao menor sinal de alerta, a pessoa busque atendimento médico imediatamente e faça um eletrocardiograma para confirmar o diagnóstico”, destaca o cardiologista.

A conscientização sobre o infarto feminino precisa ser levada a sério. Saber reconhecer os sintomas, manter um estilo de vida saudável e procurar ajuda rapidamente são atitudes que podem fazer a diferença entre a vida e a morte.



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