Candomblé de rua, Bembé do Mercado ocupará Sapucaí com a Beija-Flor

Beija-Flor: A Celebração do Bembé e a Ancestralidade no Carnaval 2026

A Beija-Flor de Nilópolis, uma das escolas de samba mais tradicionais do Brasil, está se preparando para um desfile que promete ser muito mais do que apenas uma apresentação. O tema deste ano, Bembé do Mercado, vai além das cores e das alegorias, trazendo à tona uma mensagem profunda sobre a história e a cultura negra no Brasil. Com um enredo que questiona a verdadeira liberdade e celebra a ancestralidade, a escola quer mostrar que a ocupação do espaço é uma forma de autorreparação.

O Enredo e a Ancestralidade

O carnavalesco João Vitor Araújo, em entrevista à Agência Brasil, destacou que a proposta deste ano segue a tradição da Beija-Flor de contar histórias significativas que reverberam a ancestralidade preta. O enredo traz consigo uma crítica à forma como a escravidão foi abolida no Brasil, em 1888, sem as devidas reparações. “Num país que aboliu a escravidão com uma canetada, sem nenhuma reparação, ocupar é — e sempre foi — nossa forma de autorreparação”, afirma a sinopse.

A Importância do Bembé

O Bembé do Mercado é uma celebração de rua que ocorre em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, desde 1889, marcando o primeiro aniversário da Abolição da Escravatura. Este evento é promovido por casas de candomblé e reúne a comunidade em um grito de resistência, exigindo que a liberdade também signifique poder se manifestar culturalmente. O desfile da Beija-Flor buscará retratar essa luta, onde a culinária, a dança, a música e a religiosidade do candomblé serão celebradas.

Conexão com a Comunidade e a Tradição

Pai Pote, presidente do Bembé do Mercado, expressou sua alegria ao ver a Beija-Flor escolher esse tema para o desfile de 2026. Ele enfatizou que a escola e a comunidade de candomblé compartilham objetivos semelhantes: a luta pela cultura e a preservação da essência do povo negro. “A Beija-Flor é uma comunidade idêntica à nossa”, disse ele, ressaltando a importância de levar a cultura afro-brasileira para o Sambódromo.

O Processo Criativo do Enredo

João Vitor compartilhou que a escolha do enredo não é apenas uma decisão criativa, mas envolve questões espirituais. A setorização do desfile foi aprovada através de um jogo de búzios, que indicou a direção correta a seguir. “É muito bom, mas é só o começo do trabalho”, disse o carnavalesco, indicando que muitas etapas ainda estão por vir até o desfile.

Os Setores do Desfile

  • Setor 1: Cor branca e o elemento água
  • Setor 2: Representação da culinária afro
  • Setor 3: Manifestações culturais populares
  • Setor 4: A luta das marisqueiras e farinheiras
  • Setor 5: Homenagem ao Negro Fugido
  • Setor 6: Encerramento com o elemento água

Desafios e Expectativas

Os novos intérpretes da Beija-Flor, Nino Milênio e Jéssica Martin, também estão ansiosos para se apresentarem pela primeira vez sob a bandeira da escola. Com uma responsabilidade imensa, Nino destacou a honra de suceder Neguinho da Beija-Flor. “É uma vaga difícil, um lugar que foi ocupado por 50 anos”, comentou, enfatizando que a qualidade do samba enredo deste ano é excepcional.

Jéssica, por sua vez, compartilhou a emoção de fazer parte dessa nova fase. “Suceder o mestre Neguinho está sendo uma honra”, afirmou, demonstrando a importância do enredo e do samba que foram criados com carinho por diversos compositores.

Conclusão

O desfile da Beija-Flor em 2026 promete ser um marco na história do carnaval carioca, não apenas pela beleza das alegorias, mas pela profundidade do seu enredo. Ao homenagear o Bembé do Mercado, a escola reafirma sua conexão com as raízes afro-brasileiras e a luta por reconhecimento e respeito à cultura negra. É uma celebração que vai ecoar nas avenidas do Rio de Janeiro e na memória de todos que valorizam a rica herança cultural do Brasil.



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