Candidato com nanismo volta a ser reprovado em concurso; entenda

O caso do advogado Matheus Menezes Matos acabou ganhando bastante repercussão nos últimos dias e levantou novamente aquela velha discussão sobre inclusão em concursos públicos. Candidato ao cargo de delegado da Polícia Civil de Minas Gerais, ele foi reprovado mais uma vez na etapa dos exames biofísicos e biomédicos do concurso, segundo resultado preliminar divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) no dia 15 de maio. Os testes haviam sido aplicados ainda em 26 de abril.

Mesmo depois da reprovação, Matheus segue participando do concurso graças a uma decisão judicial provisória. A defesa dele entrou com recurso tentando reverter o resultado e agora aguarda a divulgação final da banca. O prazo para contestar terminou no último dia 20 de maio, mas até agora ainda não saiu uma posição definitiva.

A situação chamou atenção principalmente porque Matheus tem nanismo e afirmou publicamente que sofreu discriminação durante o Teste de Aptidão Física, conhecido como TAF. Segundo ele, uma das provas exigia que o candidato alcançasse 1,65 metro no salto horizontal. O advogado argumenta que a exigência não levava em consideração suas limitações físicas e nem a proporcionalidade em relação à altura dele.

Em entrevista à TV Anhanguera, Matheus disse que a adaptação seria algo simples de resolver.

— Era a coisa mais simples que a banca poderia fazer, reduzir essa distância para uma distância compatível com a minha altura — afirmou.

A declaração acabou repercutindo bastante nas redes sociais. Muita gente passou a debater até onde vai a igualdade em concursos públicos e quando a adaptação deixa de ser privilégio para virar apenas uma questão de acessibilidade. Em tempos onde o tema inclusão vem sendo muito discutido no Brasil, principalmente após debates recentes envolvendo pessoas com deficiência no mercado de trabalho, o caso rapidamente ganhou espaço em páginas de notícia e perfis políticos.

De acordo com a defesa do candidato, ele apresentou laudos médicos antes da realização do teste físico e também teria solicitado formalmente adaptações nas provas. Mesmo assim, o pedido não foi aceito pela organização do concurso. Como não conseguiu atingir a marca exigida no salto, Matheus acabou impedido de continuar nas demais etapas físicas.

A Fundação Getulio Vargas, responsável pela organização do certame, informou que o edital publicado em janeiro de 2026 já deixava claro que os exames biofísicos não teriam adaptações individuais. A regra estava prevista no item 1.19 do documento. A banca sustenta que todos os candidatos precisavam seguir exatamente os mesmos critérios estabelecidos previamente.

Já a Polícia Civil de Minas Gerais afirmou que Matheus teve desempenho satisfatório nas demais fases do concurso. Ele conseguiu aprovação nas provas objetiva, discursiva, oral e até nos exames biomédicos. O problema acabou ficando concentrado apenas na parte física da seleção.

Segundo a corporação, o objetivo do TAF é avaliar se o candidato possui condições físicas mínimas compatíveis com as funções do cargo de delegado. Ainda conforme a polícia, o concurso segue critérios previstos em lei e candidatos com deficiência podem participar normalmente, desde que atendam às regras estabelecidas no edital.

Matheus também revelou que procurou o Ministério Público de Minas Gerais para denunciar o caso. Porém, segundo ele, a manifestação acabou sendo arquivada, o que trouxe ainda mais frustração. Nas redes sociais, várias pessoas demonstraram apoio ao advogado, enquanto outras defenderam que o edital deve valer igualmente para todos.

O assunto segue dividindo opiniões. Tem quem veja a situação como falta de inclusão e bom senso da banca organizadora. Outros acreditam que flexibilizar testes físicos poderia abrir precedentes complicados em concursos de segurança pública.

Enquanto o resultado definitivo não é divulgado, o advogado continua na disputa por meio da decisão judicial. O caso ainda pode render novos desdobramentos na Justiça e promete continuar dando o que falar nas próximas semanas.



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