Na manhã desta terça-feira (17), Beth Goulart esteve no programa Encontro e emocionou os telespectadores ao relembrar a perda de sua mãe, a atriz Nicette Bruno, que faleceu em dezembro de 2020. Durante a conversa com Patrícia Poeta, Beth compartilhou a dor profunda e as reflexões transformadoras que surgiram após essa experiência tão marcante.
“Foi uma dor lancinante, que tira completamente o seu equilíbrio. É a maior reverência que você pode fazer à vida”, confessou Beth. A atriz descreveu como a morte da mãe a deixou com a sensação de orfandade. “Você se sente órfão. E agora? Tenho que aprender a ser mãe de mim mesma. Preciso encontrar dentro de mim a minha mãe, os legados dela. Onde estão os amores que ela deixou? Estão no meu coração, na minha alma. É uma experiência profundamente transformadora”, desabafou.
Reflexões sobre saúde e transformação
Para Beth Goulart, a vivência do luto trouxe uma nova percepção sobre a importância da saúde e da consciência como pilares fundamentais da existência. “Os ciclos que enfrentamos na vida são movimentos necessários de transformação. Precisamos buscar a nossa grande chave, que é a consciência. É a percepção dessa força interior que nos guia”, explicou.
A atriz também destacou que mudanças significativas nem sempre precisam vir da dor. “A maternidade, por exemplo, faz você descobrir a vida sob uma perspectiva completamente nova”, afirmou, mostrando como as experiências de amor e cuidado também podem ser catalisadoras de crescimento pessoal.
Nicette Bruno: uma carreira marcada pela arte e pioneirismo
Nicette Bruno foi uma das grandes referências da dramaturgia brasileira e uma das vítimas da Covid-19 em 2020. Nascida em 1933, em Niterói, ela cresceu em um ambiente artístico, com familiares envolvidos nas artes. Desde criança, Nicette demonstrava vocação para o palco, iniciando sua carreira ainda na década de 1940.
Na televisão, foi pioneira, começando a atuar no veículo desde os anos 1950, quando a TV ainda dava seus primeiros passos no Brasil. Em 1965, casou-se com o ator Paulo Goulart, com quem construiu uma parceria não apenas na vida pessoal, mas também profissional. O casal permaneceu junto até o falecimento de Paulo, em 2014, sendo um dos mais admirados do meio artístico brasileiro.
Durante os anos 1980, Nicette firmou-se como uma das grandes atrizes da Rede Globo, participando de novelas memoráveis como Louco Amor (1983), o remake de Selva de Pedra (1986) e A Próxima Vítima (1995). Entre 2001 e 2004, encantou o público infantil ao interpretar Dona Benta no Sítio do Picapau Amarelo. Seu último trabalho na televisão foi uma participação especial na nova versão de Éramos Seis, no início de 2020, poucos meses antes de sua morte.
Um legado de amor e aprendizado
Beth Goulart destacou a importância dos ensinamentos deixados por sua mãe. Para ela, o legado de Nicette vai além do talento artístico e se reflete nos valores transmitidos à família. “Minha mãe sempre foi um exemplo de generosidade, de amor, de dedicação. Ela vivia a arte como uma missão e nos ensinou a ver a vida com beleza, mesmo nos momentos difíceis”, contou.
A pandemia da Covid-19, que levou tantas vidas, deixou marcas profundas na família de Beth, mas também trouxe a oportunidade de revisitar memórias preciosas. “Quando perdemos alguém tão próximo, precisamos redescobrir quem somos. É um processo de acolhimento e autoconhecimento. Hoje, sei que minha mãe vive em mim, nos gestos que aprendi com ela, nas escolhas que faço”, refletiu.
Uma história que inspira gerações
Nicette Bruno é lembrada não apenas por seu brilhantismo nas telas e nos palcos, mas também por sua humanidade e dedicação à família e à profissão. Seu casamento com Paulo Goulart, sua atuação pioneira na televisão e seu carinho pelo público infantil a tornam uma figura atemporal na cultura brasileira.
Beth Goulart, ao revisitar essas memórias no programa Encontro, trouxe à tona não apenas a saudade, mas também a celebração de uma vida vivida com propósito e amor. Sua mensagem é clara: mesmo diante da perda, é possível transformar o luto em aprendizado, honrando aqueles que amamos ao vivermos de forma plena.