Beneficiário aparece como dono de empresa milionária

A história que vem de São Luís, no Maranhão, parece até roteiro de filme — mas é bem real. Duas empresas de ônibus da capital, que juntas acumulam uma dívida pesada de R$ 177 milhões, acabaram sendo colocadas no nome de um jovem de 26 anos que, até pouco tempo atrás, levava uma vida bem distante desse mundo empresarial.

O nome dele é Willame Alves dos Santos. E o detalhe que chama atenção logo de cara: ele é beneficiário do Bolsa Família. Pois é. Segundo registros oficiais, desde janeiro deste ano ele passou a aparecer, no papel, como sócio-administrador de uma holding chamada DAJP Participações Ltda. É essa empresa que controla companhias conhecidas do transporte público local, como a Expresso Rei de França e a Expresso Grapiúna, que operam dentro do Consórcio Via SL.

Até aí, já seria curioso. Mas quando a gente olha o histórico de Willame, a situação fica ainda mais estranha. Ele já foi acusado de dar um golpe simples — daqueles de pedir comida e mandar comprovante falso de Pix — numa pizzaria. O valor? Cerca de R$ 50. Em outra ocasião, foi preso com pequenas quantidades de drogas. Nada que combine, digamos assim, com alguém que teria comprado uma empresa avaliada em milhões.

Mesmo assim, documentos da Junta Comercial mostram que ele teria adquirido 100% das cotas da holding, cujo capital social é de R$ 3 milhões. Antes disso, a empresa estava no nome de Deborah Piorski Ferreira, filha de um empresário bastante conhecido nos bastidores do setor de transporte local.

E é aí que entra uma peça importante dessa história. Esse empresário, apontado por credores como alguém que usaria familiares para esconder patrimônio, segue tendo forte influência no setor. Oficialmente, ele não aparece como dono das empresas, mas nos bastidores o nome dele continua sendo citado.

Enquanto isso, a situação das empresas só piora. Na última semana de março, as duas companhias anunciaram a paralisação temporária dos ônibus em São Luís, alegando falta de repasses da prefeitura. A população, claro, foi a mais prejudicada — gente que depende do transporte público ficou sem saber como ir trabalhar ou estudar.

Mas tem mais. Investigações apontam que valores milionários recebidos do poder público estariam sendo desviados para outras empresas, incluindo uma mineradora. Em poucos meses, cerca de R$ 1,6 milhão teria sido transferido para essa empresa, dentro de uma movimentação total que chega a R$ 6,7 milhões. Parte desse dinheiro, segundo documentos, teria sido usada até para pagar despesas pessoais, como fatura de cartão de crédito.

Voltando ao Willame… além do histórico policial, ele também responde a um processo por dívida com banco. Ele teria comprado uma moto parcelada e simplesmente parado de pagar após poucos meses. A dívida gira em torno de R$ 8,8 mil. Quando o banco tentou localizá-lo, nem no endereço informado ele foi encontrado.

Mesmo com tudo isso, hoje ele aparece como “dono” de empresas milionárias. E segue recebendo cerca de R$ 600 por mês de auxílio do governo federal, benefício que já recebe há anos.

A reportagem até tentou contato com ele pra entender como aconteceu essa virada de vida tão… rápida. Mas, como já era meio esperado, não houve resposta.

No fim das contas, o caso levanta várias perguntas — e poucas respostas. É só mais uma daquelas histórias brasileiras onde, quando a gente acha que já viu de tudo, aparece algo ainda mais inacreditável.



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