A Rexona, marca de desodorantes que patrocina o Big Brother Brasil 25, enfrentou uma grande polêmica nas redes sociais após uma publicação associando a participante Aline ao uso de seus produtos. A postagem, feita no X (antigo Twitter), foi amplamente criticada por internautas, que a classificaram como racista.
O caso teve início no dia 18 de março, quando a Rexona divulgou uma peça publicitária usando uma montagem de Aline segurando um desodorante da linha Clinical. Na legenda, a marca escreveu: “A Aline sabe que pode contar com a proteção que muda tudo de Rexona Clinical. Por isso, ela tá pronta pra enfrentar todas as tensões sem suor e mau odor.”
A reação do público foi imediata. Para muitos, a associação de uma mulher negra à questão do mau cheiro reforçava um estereótipo racista, gerando indignação e debates acalorados nas redes sociais. Diante da repercussão negativa, a Rexona optou por remover a postagem e se manifestou sobre o caso apenas uma semana depois, no dia 25 de março.
“Pedimos desculpas pela publicação e reforçamos o compromisso inegociável com a agenda antirracista”, declarou a marca em um comunicado oficial. A empresa também garantiu que está trabalhando para revisar seus processos internos e evitar novos deslizes no futuro.
“Estamos na contínua caminhada de aprendizagem, ouvindo a sociedade e suportados por consultorias especializadas, para promover uma transformação significativa nas nossas práticas internas”, acrescentou a empresa.
A Rexona finalizou o pronunciamento afirmando que o compromisso com a mudança vai além das palavras: “Isso significa revisitar os processos da marca, da criação à produção e veiculação de conteúdos. Mesmo!”
No entanto, a retratação não foi suficiente para conter as críticas. Muitos usuários questionaram a demora da empresa em se posicionar, argumentando que uma resposta mais rápida poderia ter minimizado o impacto negativo da campanha. Fãs de Aline, em especial, demonstraram indignação com o tempo levado para o pedido de desculpas.
A polêmica ocorreu em meio a uma fase decisiva do Big Brother Brasil 25. Na mesma terça-feira (25) em que a Rexona se desculpou publicamente, Aline foi eliminada do programa com 51,73% dos votos. Ela disputava a permanência na casa com Maike, que recebeu 47,34%, e Diego Hypolito, que teve apenas 0,93% da preferência do público. O paredão bateu recorde de votação da temporada, ultrapassando a marca de 200 milhões de votos.
A saída de Aline do reality não passou despercebida pelos telespectadores e pela mídia. Durante sua trajetória no programa, ela se destacou por sua personalidade forte e pela forma como lidava com as pressões do confinamento. Sua eliminação gerou diversas reações nas redes sociais, com muitos lamentando sua saída e outros comemorando o resultado.
Além da questão envolvendo a Rexona, a participação de Aline no BBB 25 também foi marcada por debates sobre representatividade e racismo estrutural. Episódios como esse demonstram como a presença de pessoas negras em espaços de grande visibilidade ainda enfrenta desafios, especialmente quando se trata de campanhas publicitárias e da forma como são retratadas.
Nos últimos anos, grandes marcas têm sido cada vez mais cobradas por posicionamentos claros e coerentes em relação a temas como diversidade e inclusão. Casos como o da Rexona mostram que, apesar dos avanços, ainda há um longo caminho a percorrer para que as empresas compreendam plenamente o impacto de suas campanhas e discursos.
Essa não foi a primeira vez que uma marca enfrentou reações negativas por conta de campanhas publicitárias com conotações racistas. Episódios semelhantes já ocorreram tanto no Brasil quanto no exterior, evidenciando a necessidade de um olhar mais atento para evitar erros que possam reforçar estereótipos prejudiciais.
O caso da Rexona e Aline reforça um ponto importante: o impacto da publicidade vai além da intenção da marca. O contexto social e histórico precisa ser considerado na criação de campanhas, e empresas que não estiverem atentas a essas questões correm o risco de enfrentar crises de imagem como essa.
Agora, resta saber se a Rexona tomará medidas concretas para garantir que casos como esse não se repitam. Afinal, mais do que pedir desculpas, o público espera mudanças reais e um compromisso genuíno com a diversidade e o respeito.