Bateau Mouche: atriz da Globo previu própria morte no ‘Titanic brasileiro’

A série “Bateau Mouche: Naufrágio da Justiça”, que lançou seu segundo episódio hoje na Max, recria com bastante emoção os últimos momentos de 55 pessoas que perderam a vida na tragédia que abalou o Brasil durante o Réveillon de 1988 para 1989. Esse acontecimento, até hoje, mexe com a memória de muita gente.

Entre as vítimas, estava a atriz Yara Amaral, que tinha 52 anos e estava no auge de sua carreira. Ela fez papéis marcantes em novelas da Globo, como “Dancin’ Days”, que passou em 1978, e “Cambalacho” e “Anos Dourados”, ambas de 1986. Quem acompanhava a TV na época se lembra bem dela, ela estava sempre em destaque.

Yara nasceu em São Paulo, em 1936, e, quando era mais nova, sonhava em ser professora de matemática. Mas, a vida a levou para outro caminho. Ela se apaixonou pelas artes e, por isso, decidiu fazer teatro. Se formou na Escola de Arte Dramática da USP, em 1964. De lá pra cá, construiu uma carreira de sucesso.

Curiosamente, Yara não sabia nadar e, por isso, tinha adiado o passeio no barco por três anos. Ela foi junto com sua mãe, Elisa Gomes, que já estava com 73 anos, e o casal Dirce e Silvio Grotkowski, donos da famosa empresa de cosméticos Payot. Yara e sua mãe estavam no barco e acabaram falecendo no naufrágio. Dirce e Silvio, no entanto, conseguiram sobreviver. Na época, os filhos de Yara, João Mário e Bernardo, com 13 e 15 anos, também estavam programados para ir, mas decidiram trocar o passeio por uma festinha na casa de amigos. Sorte deles, né?

Mas o mais impressionante dessa história é que, um mês antes da tragédia, Yara teve um “pressentimento” sobre sua morte. Durante um almoço de família, seus filhos começaram a brincar com o fato de ela não saber nadar e, de repente, ela falou algo meio assustador: “Desde pequena, eu sempre tive a impressão de que um dia uma onda me levaria.” É como se ela já soubesse, de alguma forma, que algo assim poderia acontecer.

Em uma entrevista dada para o site Splash, em 2021, a sobrinha de Yara, Larize Ferreira Amaral, contou que a atriz não morreu afogada, como muitos pensam. Segundo Larize, o que aconteceu foi que, quando Yara foi ao banheiro, ela viu a água subindo no vaso sanitário do barco e, isso, fez com que ela tivesse um ataque cardíaco. Ou seja, ela não morreu por causa da água, mas por causa do choque ao ver a água invadindo o barco. “Ela não morreu afogada. Ela teve um infarto só de ver a água entrando”, explicou Larize. Para confirmar isso, ela ainda falou que o corpo de Yara não estava inchado, como aconteceu com a sua avó, Elisa, que sim, morreu afogada.

Larize lembrou que seu pai foi quem teve que reconhecer o corpo da avó, Elisa, e contou que estava bem diferente, inchado, por causa da água que havia sido ingerida. Tudo isso realmente soa muito estranho, né? Parece até coisa de filme, mas foi uma história real, que marcou muito as famílias e todos os envolvidos.

Essa série “Bateau Mouche”, ao reviver esse momento dramático, traz à tona não só a tragédia em si, mas também esses relatos emocionantes que mostram como a vida de cada um foi afetada de maneira tão única e trágica. Ao mesmo tempo, também faz a gente refletir sobre o quanto a vida é imprevisível e como eventos aparentemente simples, como um passeio de barco, podem virar um pesadelo.

Por tudo isso, a série não é só uma recriação histórica, mas também uma forma de dar voz a essas histórias que ficaram marcadas para sempre na memória do Brasil.



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