Bacabal: Cadela farejadora morre após atuar em buscas por crianças

A cadela farejadora Iara, do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará, morreu na madrugada desta quinta-feira (15) enquanto seguia viagem para integrar a força-tarefa montada para ajudar nas buscas por duas crianças desaparecidas em Bacabal, no interior do Maranhão. A notícia pegou muita gente de surpresa e comoveu não só os militares envolvidos na operação, mas também moradores da região e pessoas que acompanham o caso pelas redes sociais.

Segundo informações repassadas pelo próprio Corpo de Bombeiros do Ceará, Iara começou a apresentar sintomas compatíveis com torção gástrica, uma condição considerada grave e de evolução muito rápida em cães de grande porte. Mesmo com os procedimentos adotados, ela não resistiu e acabou morrendo antes de chegar ao destino. A corporação confirmou o óbito em nota oficial, destacando o histórico exemplar da cadela ao longo dos anos de serviço.

Iara havia sido escalada para atuar diretamente na tentativa de localizar Ágatha Isabelly, de apenas 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos desde o dia 4 de janeiro na zona rural de Bacabal. As crianças sumiram após serem vistas pela última vez nas proximidades do povoado São Sebastião dos Pretos, e desde então uma grande mobilização vem sendo realizada, envolvendo bombeiros, policiais, voluntários e moradores locais.

Em comunicado, os Bombeiros do Ceará ressaltaram o “temperamento singular” de Iara, além da dedicação ao trabalho e da forte conexão que ela tinha com a tropa. Quem convivia de perto com a cadela afirma que ela não era apenas um animal de serviço, mas parte da equipe, dessas que entendem o clima da missão e parecem sentir quando algo não vai bem. Não é exagero dizer que a perda deixou um vazio entre os profissionais.

Como forma de homenagem, foi realizada uma cerimônia sob honras no povoado Santa Rosa, uma das áreas próximas ao local dos desaparecimentos. O momento reuniu integrantes das equipes envolvidas nas buscas e foi marcado por bastante emoção. O ato foi conduzido pelo coronel Célio Roberto, do Corpo de Bombeiros do Maranhão, que destacou a importância do trabalho dos cães farejadores em operações desse tipo e o legado deixado por Iara.

Enquanto isso, as buscas pelos irmãos seguem sem interrupção. Nesta sexta-feira (16), os trabalhos chegaram ao 13º dia, o que aumenta ainda mais a angústia de familiares e da população. Na quinta-feira, a operação entrou em uma nova fase, com o início de mergulhos em um lago localizado a cerca de dois quilômetros do povoado onde as crianças foram vistas pela última vez. A decisão veio após análises da área e relatos colhidos durante as diligências.

De acordo com o comandante da operação, Cleyton Cruz, a região já vinha sendo vistoriada desde a quarta-feira (14), com varreduras na mata e no entorno do lago. A partir de quinta, o trabalho subaquático foi intensificado e deve durar pelo menos três dias, justamente para garantir que todos os pontos sejam examinados com cuidado. A ideia é não deixar nenhuma área sem checagem, mesmo aquelas de acesso mais difícil.

Os bombeiros explicaram que os mergulhadores atuam em conjunto, ampliando o alcance da varredura e tentando identificar qualquer vestígio que possa ajudar nas investigações. Ao mesmo tempo, outras equipes seguem percorrendo trilhas, caminhos e veredas, avançando também por áreas de mata mais fechada. Até agora, nenhuma pista concreta foi encontrada, o que só aumenta o clima de apreensão.

A morte de Iara, em meio a uma missão tão delicada, acabou simbolizando o quanto essas operações exigem esforço, preparo e, muitas vezes, sacrifício. Em meio à esperança de encontrar as crianças, fica também o reconhecimento a uma cadela que dedicou sua vida ao trabalho e partiu justamente tentando cumprir mais uma missão.



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