Avião que caiu em SP teria saído da manutenção na véspera do acidente

O avião de pequeno porte que caiu na manhã desta sexta-feira (7/2), em São Paulo, havia saído da manutenção na véspera do acidente, de acordo com amigos próximos de Márcio Carpena, advogado e empresário gaúcho proprietário da aeronave. A tragédia gerou comoção entre colegas e familiares do empresário, que frequentemente utilizava o avião em suas viagens a trabalho.

Conforme dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião era do modelo King Air F-90, com o prefixo PS-FEM, fabricado em 1981. Apesar da idade da aeronave, ela foi adquirida recentemente por Márcio, em dezembro de 2024. O empresário havia compartilhado nas redes sociais, com evidente entusiasmo, que o primeiro voo do jatinho aconteceu no final de dezembro. Na ocasião, ele viajou de Porto Alegre, onde residia, até o Uruguai, onde celebrou as festas de fim de ano.

Márcio Carpena era uma figura conhecida no Rio Grande do Sul, especialmente no meio jurídico e empresarial. Ele costumava viajar a São Paulo com frequência para cumprir compromissos profissionais. Apenas um dia antes do acidente, o advogado esteve na sede da Enel, empresa de distribuição de energia elétrica na capital paulista, onde realizou reuniões que foram registradas em fotos publicadas em suas redes sociais. Na sexta-feira, poucas horas antes do trágico acidente, Márcio também compartilhou um vídeo da aeronave enquanto ela taxiava na pista, um momento que, para ele, parecia corriqueiro e sem maiores preocupações.

Segundo relatos de pessoas próximas, o empresário estava retornando ao Rio Grande do Sul e planejava participar de uma festa naquela noite, na casa de uma vizinha em Atlântida, um famoso balneário do estado. Márcio era descrito como alguém muito ativo e planejador, características que contrastam fortemente com a fatalidade que encerrou sua trajetória. Ele deixa três filhos e sua namorada, Francieli Rozales, biomédica que também foi mencionada por amigos e familiares durante as homenagens.

O acidente também levantou discussões sobre a segurança de aeronaves antigas e a regularidade de suas manutenções. O King Air F-90 é conhecido por ser um modelo robusto, mas a idade do avião e o fato de ter passado por manutenção tão recentemente reacenderam debates sobre os desafios de se manter aeronaves desse tipo em perfeito estado. Especialistas ouvidos pela imprensa destacaram que, embora a manutenção seja obrigatória e regulada, o desgaste natural de componentes pode ser imprevisível.

O impacto dessa tragédia ultrapassou o círculo familiar de Márcio. Na região onde ele vivia, em Porto Alegre, e em Atlântida, onde passava seus verões, o acidente gerou comoção e solidariedade. Amigos lembraram do empresário como alguém sempre disposto a ajudar, uma figura central em sua comunidade. Alguns chegaram a descrever a tragédia como “inimaginável”, dado o perfil cauteloso de Márcio com relação às suas atividades e negócios.

Recentemente, acidentes com aeronaves de pequeno porte têm se tornado pauta recorrente na mídia. Em 2024, o Brasil registrou um aumento significativo no número de incidentes desse tipo, o que levou autoridades a reforçarem as fiscalizações em aeroportos e hangares privados. Ainda assim, muitos especialistas defendem que a conscientização sobre a importância da manutenção preventiva e o treinamento constante de pilotos são essenciais para evitar tragédias.

A perda de Márcio Carpena é um lembrete doloroso de como imprevistos podem mudar vidas em questão de segundos. Enquanto os familiares lidam com o luto, o caso certamente será investigado pelas autoridades competentes, que buscarão entender se falhas mecânicas, humanas ou outros fatores contribuíram para o acidente.

No momento, amigos e parentes se reúnem para prestar as últimas homenagens ao advogado e empresário, enquanto refletem sobre o legado deixado por ele. Além de sua carreira bem-sucedida, Márcio era admirado por ser um pai dedicado e alguém que fazia questão de manter fortes os laços com aqueles que amava.



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