Auxiliares de Lula se surpreendem com atitude de Trump durante reunião reservada

O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, acabou rendendo bastidores curiosos que chamaram bastante atenção da comitiva brasileira. Apesar da expectativa de um clima mais tenso, principalmente pelo estilo explosivo de Trump e de alguns integrantes do governo americano, o encontro aconteceu de forma considerada tranquila por auxiliares do Palácio do Planalto.

Entre os detalhes que mais surpreenderam integrantes do governo brasileiro estava a postura do vice-presidente americano, J. D. Vance. Conhecido por ter um jeito mais duro e até “esquentado”, Vance praticamente não participou da conversa. Segundo relatos de pessoas presentes na reunião, ele fez apenas uma rápida abertura e depois permaneceu em silêncio durante quase todo o encontro.

Nos bastidores, integrantes da comitiva de Lula comentaram que esperavam uma postura diferente do vice americano. Em reuniões anteriores com outros chefes de Estado, Vance teria demonstrado mais participação e até interrompido conversas em alguns momentos. Dessa vez, porém, ele ficou mais reservado e observador.

Quem realmente comandou a reunião foi Trump, como já era esperado. O republicano concentrou boa parte das falas e conduziu os principais assuntos tratados entre os dois governos. Em alguns momentos, o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, também fez intervenções pontuais sobre temas econômicos e comerciais.

Mesmo assim, auxiliares de Lula afirmaram que o restante da equipe americana manteve uma postura considerada “passiva”. Poucos se manifestaram durante o encontro e, segundo relatos, o comportamento contrastou bastante com a atuação da delegação brasileira.

Lula, por outro lado, teria adotado uma postura participativa e mais descontraída. De acordo com integrantes do governo, o presidente brasileiro não ficou preso apenas ao diálogo direto com Trump. Em vários momentos ele chamou ministros brasileiros para explicar temas específicos e complementar discussões mais técnicas. Isso ajudou a deixar a reunião mais dinâmica e menos engessada.

Nos corredores do Planalto, a avaliação é que a preparação antes da viagem foi fundamental para evitar qualquer situação desconfortável. Assessores do presidente fizeram uma espécie de “estudo de perfil” tanto de Trump quanto dos principais integrantes do governo americano. A ideia era entender como cada um costuma agir em reuniões internacionais.

Segundo um auxiliar da área internacional, a equipe observou encontros anteriores de Trump com outros líderes mundiais justamente para evitar temas sensíveis que pudessem gerar algum atrito desnecessário. O receio existia porque Trump tem histórico de criar momentos constrangedores em reuniões diplomáticas, especialmente quando é contrariado ou provocado.

Ainda assim, pessoas próximas de Lula disseram que o presidente brasileiro demonstrou tranquilidade durante toda a conversa. Até porque experiência internacional não falta. Essa já foi a sexta vez que Lula esteve na Casa Branca ao longo da carreira política.

Um auxiliar chegou a lembrar episódios antigos envolvendo negociações delicadas enfrentadas por Lula em governos anteriores, incluindo discussões na época da Guerra do Iraque e também o período das tensões diplomáticas envolvendo o Irã durante o governo de Barack Obama.

Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro avaliaram o encontro como positivo. Além de não haver clima hostil, a reunião serviu para manter um canal de diálogo aberto entre Brasil e Estados Unidos em um momento internacional cheio de tensão política, disputas comerciais e guerras acontecendo em várias partes do mundo.

Mesmo sem grandes anúncios oficiais após o encontro, o que mais repercutiu entre os auxiliares foi justamente o comportamento mais silencioso e contido da equipe americana. Principalmente o de Vance, que acabou fugindo completamente da postura mais combativa que costuma apresentar publicamente.



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