A escritora e astróloga Monica Buonfiglio resolveu comentar, nos últimos dias, a forte repercussão em torno da morte do cão comunitário Orelha, caso que aconteceu em Santa Catarina e acabou gerando uma onda de revolta nas redes sociais. Em entrevista concedida à coluna de Fábia Oliveira, ela trouxe uma leitura mais espiritual do episódio, fugindo um pouco da análise jurídica ou psicológica que costuma dominar esse tipo de debate.
Segundo Monica, o comportamento dos adolescentes envolvidos no ataque não deve ser visto como algo pontual, um simples “erro da idade”, como muita gente tenta justificar. Para ela, a crueldade demonstrada no caso aponta para traços mais profundos da personalidade, que, dentro da visão espiritualista e da teosofia, atravessam diferentes existências. Em outras palavras, não seria algo que surgiu do nada.
A astróloga defende que atos de violência extrema contra animais revelam marcas antigas do espírito. Na visão dela, quem pratica esse tipo de agressão já carrega essa energia de outras vidas, repetindo padrões que ainda não foram corrigidos. É uma leitura que divide opiniões, claro, mas que ganhou espaço justamente por causa da comoção nacional em torno do caso.
Astróloga faz leitura espiritual do episódio
Ao se aprofundar no caso específico do jovem apontado como principal responsável pelas agressões, Monica foi direta e até dura em suas palavras. Ela fez questão de diferenciar o envolvimento dos adolescentes, atribuindo um peso espiritual maior àquele que teria cometido a violência física de forma direta, o que, segundo ela, muda completamente a análise do ponto de vista espiritual.
“Segundo a teosofia, esse rapaz já era cruel em vidas passadas, né? Então essas cascas da maldade ficam impregnadas no espírito dele. Ele volta como um ser mau, vai morrer e numa outra vida futura ele pode voltar pior ainda. E assim isso continua”, declarou Monica, em uma fala que rapidamente viralizou e foi compartilhada em diversas páginas.
Caso do cão Orelha chocou o país
O episódio que motivou toda essa discussão envolve o cão comunitário Orelha, que vivia há cerca de dez anos na Praia Brava, em Florianópolis. Conhecido por moradores e comerciantes da região, o animal acabou se tornando uma espécie de símbolo local, daqueles que todo mundo conhece e protege.
Orelha foi encontrado gravemente ferido em uma área de mata, após ser atingido por um objeto contundente. As lesões eram tão severas que, segundo veterinários, não havia possibilidade de recuperação, o que levou à decisão pela eutanásia. A notícia se espalhou rápido e gerou indignação, principalmente em um momento em que o debate sobre maus-tratos a animais tem sido cada vez mais presente no Brasil.
Imagens de câmeras de segurança ajudaram a polícia a identificar quatro adolescentes envolvidos no ataque. Além disso, as investigações apontaram que o grupo também teria tentado matar outro cachorro da região, conhecido como Caramelo, o que aumentou ainda mais a revolta popular. Como todos são menores de idade, eles respondem por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos.
A Justiça determinou, inclusive, a retirada de conteúdos nas redes sociais que pudessem identificar os jovens, uma decisão que também gerou polêmica. Enquanto alguns defendem a medida, outros questionam até que ponto o anonimato ajuda na conscientização. Em meio a tudo isso, falas como a de Monica Buonfiglio acabam encontrando espaço, seja para provocar reflexão, seja para gerar ainda mais debate sobre responsabilidade, empatia e os limites da violência.