Após ser chamado de traidor, Flávio Bolsonaro toma drástica medida contra Lula

A defesa do senador Flávio Bolsonaro voltou a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) e apresentou uma nova petição dentro de uma notícia-crime que já tramita contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No documento, os advogados afirmam que o chefe do Executivo repetiu declarações que, na avaliação deles, ultrapassam o campo da crítica política e podem ser interpretadas como ameaça e até incitação à violência.

O pedido foi protocolado após um discurso feito por Lula durante a convenção nacional do PDT, realizada em Brasília no dia 20 de julho. Na ocasião, o presidente comentou que, em outros períodos da história, “traidor era enforcado, porque trair a pátria é algo muito grave”. Logo depois, também declarou que atualmente existem “vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir punição ao Brasil”.

Na interpretação da defesa de Flávio Bolsonaro, as falas não foram genéricas. Os advogados sustentam que o verdadeiro alvo das declarações seria o senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo eles, o contexto político deixa claro quem seria o destinatário da mensagem, afastando a tese de que Lula estivesse apenas fazendo uma comparação histórica ou usando uma figura de linguagem.

Ainda de acordo com a petição, esse tipo de discurso pode estimular atos de violência contra adversários políticos. Os advogados alegam que, quando um presidente da República faz esse tipo de declaração em um evento público, diante de apoiadores e com ampla repercussão nas redes sociais e na imprensa, o impacto das palavras acaba sendo muito maior do que o de uma simples manifestação política.

Essa não é a primeira vez que o assunto chega ao Supremo. A notícia-crime original já havia sido apresentada após outro discurso de Lula, feito em junho de 2026. Naquela oportunidade, o presidente chamou Flávio Bolsonaro de “vendilhão da pátria” e citou o episódio envolvendo Joaquim Silvério dos Reis, conhecido por delatar Tiradentes durante o período da Inconfidência Mineira. Lula também mencionou que, segundo relatos históricos, o delator deveria ter sido enforcado.

Agora, a defesa afirma que a repetição desse tipo de declaração demonstra um comportamento contínuo e não um fato isolado. Para os advogados, existe uma estratégia de repetir expressões semelhantes em diferentes eventos públicos, sempre associando Flávio Bolsonaro à figura de um traidor. Na visão deles, isso aumenta o risco de ataques contra o parlamentar e reforça um ambiente de hostilidade política.

No novo pedido encaminhado ao STF, os representantes do senador solicitam que as declarações mais recentes sejam anexadas ao processo que já está em andamento. Além disso, pedem que a Corte investigue se houve prática dos crimes de ameaça e incitação ao crime por parte do presidente da República.

Outro ponto destacado pela defesa é que autoridades públicas precisam ter cautela ao escolher as palavras, principalmente em um cenário de forte polarização política no país. Segundo os advogados, discursos feitos por lideranças nacionais têm grande alcance e podem influenciar o comportamento de apoiadores, motivo pelo qual as declarações deveriam ser analisadas com atenção pelo Supremo.

O processo será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Caberá a ele decidir se há elementos suficientes para determinar a abertura de um inquérito ou adotar outras medidas solicitadas pela defesa de Flávio Bolsonaro. Até o momento, não houve decisão sobre o novo pedido.

O episódio aumenta mais um capítulo da disputa política entre aliados do governo Lula e integrantes da oposição, em um momento em que os debates seguem cada vez mais acalorados. As informações foram divulgadas pela jornalista Manoela Alcântara, do Metrópoles, e agora o caso permanece aguardando os próximos desdobramentos no Supremo Tribunal Federal.



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