Após discussão familiar, Flávio Bolsonaro desabafa e cai no choro ao mencionar Michelle

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não segurou a emoção durante uma reunião com a bancada do Partido Liberal, realizada nesta quarta-feira (25), em Brasília. O clima, que já era tenso por causa das movimentações para 2026, acabou ficando ainda mais carregado quando ele começou a falar da própria pré-candidatura à Presidência da República e, principalmente, da situação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso no Complexo da Papuda desde janeiro.

Quem estava na sala conta que o discurso começou firme, quase protocolar. Mas bastou tocar no nome do pai para a voz embargar. “Eu sou candidato para mostrar um caminho que esse país tem que seguir”, afirmou. Até aí, tudo dentro do script. O problema foi quando ele completou dizendo que o ex-presidente “não merece passar pelo que está passando” e que “a família sofre”. Nesse momento, as lágrimas vieram. Não teve como disfarçar.

Flávio citou um por um dos irmãos e também a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, ressaltando o quanto o encarceramento do patriarca tem pesado no dia a dia de todos. “Dá uma aflição na gente, é muito sério o que está acontecendo”, disse, visivelmente abalado. Não era só discurso político. Parecia desabafo mesmo, coisa de filho.

Nos bastidores, o momento é delicado. O clã Bolsonaro atravessa uma fase de turbulência interna desde o fim de 2025, quando Michelle se desentendeu com os enteados após criticar o apoio do PL a uma eventual candidatura de Ciro Gomes no Ceará. A discussão foi feia, segundo aliados. Flávio chegou a revelar que pediu desculpas à madrasta para tentar colocar panos quentes. Política é complicada, família mais ainda.

E não parou por aí. Na última sexta-feira (20), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro fez críticas públicas ao deputado Nikolas Ferreira e à própria Michelle. Disse que faltava apoio à pré-campanha de Flávio. O comentário caiu como uma bomba nas redes sociais, que já estavam agitadas com especulações sobre quem será o nome da direita em 2026.

Mesmo com todo esse ruído, Flávio tenta passar a imagem de que está tudo sob controle. No começo de fevereiro, durante a CEO Conference promovida pelo BTG Pactual, ele negou qualquer racha com Michelle ou com o governador Tarcísio de Freitas. “Da minha parte, é desavença zero”, garantiu. Admitiu, no entanto, que houve “um ruidozinho ali no começo”, mas afirmou que agora “a poeira já baixou”.

O fato é que a prisão de Jair Bolsonaro mexeu profundamente com o tabuleiro político. O ex-presidente, que sempre foi o centro das decisões do grupo, agora está fora do jogo, ao menos fisicamente. E isso cria um vazio. Flávio tenta ocupar esse espaço, mas sabe que carrega um peso enorme. Não é só uma candidatura, é uma herança política — e emocional também.

Em Brasília, o clima é de expectativa. Enquanto adversários criticam e aliados defendem, o senador tenta equilibrar o discurso entre firmeza e sensibilidade. Alguns veem estratégia, outros enxergam fragilidade. Talvez seja um pouco dos dois. A verdade é que, goste-se ou não da família Bolsonaro, o episódio mostrou um lado mais humano de Flávio. E isso, em tempos de discursos ensaiados e frases prontas, acaba chamando atenção.

Resta saber se a emoção vista na reunião será combustível para fortalecer sua pré-candidatura ou se vai expor ainda mais as rachaduras internas. Política não perdoa hesitação. Mas também não ignora sentimento. E, pelo visto, 2026 já começou — mesmo que oficialmente ninguém admita.



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