A noite desta quarta-feira, 29, entrou pra história política do país — e não foi de um jeito comum, não. Pela primeira vez em mais de um século, uma indicação ao Supremo Tribunal Federal acabou barrada no Senado. O nome da vez era o do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, que acabou não alcançando os votos necessários e viu sua trajetória rumo ao STF ser interrompida ali mesmo, no plenário.
Logo depois do resultado, Messias apareceu diante da imprensa. Visivelmente sereno, até mais do que muita gente imaginava, ele tentou colocar panos quentes na situação. Ao lado do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, ele falou com um tom de gratidão — algo que, convenhamos, nem sempre se vê em momentos de derrota política.
“Sou grato a Deus por ter chegado até aqui”, disse ele, logo no começo. E não parou por aí. Fez questão de lembrar que passou por um processo longo, de meses, sendo analisado, questionado, observado de perto. Segundo ele, foram cerca de cinco meses de sabatina informal, conversas com senadores, encontros de bastidores… aquele ritual que quem acompanha política sabe bem como funciona, mesmo quando não aparece tanto na TV.
Messias destacou também que foi recebido por 78 senadores — número significativo — e que, nas palavras dele, sempre houve respeito. Não deixou críticas no ar, nem indiretas. Pelo contrário, afirmou que não tinha “nada a reparar” sobre a conduta dos parlamentares. Um discurso bem calculado, diga-se, talvez pra manter portas abertas no futuro.
E falando em futuro, ele também deu uma pista de como enxerga esse momento: como parte de algo maior. Disse que cada pessoa cumpre um propósito e que ele teria cumprido o dele. Pode soar meio filosófico, até religioso pra alguns, mas é um tipo de fala que costuma aparecer quando alguém tenta transformar derrota em aprendizado — ou, pelo menos, em narrativa mais leve.
Na votação, Messias recebeu 34 votos. Precisava de 41. Ficou ali, perto, mas não o suficiente. E isso já foi o bastante pra causar um certo terremoto político em Brasília. Não é todo dia que uma indicação presidencial pro STF é rejeitada, ainda mais considerando o histórico. Pra ter ideia, algo assim não acontecia desde o século XIX. Pois é… coisa grande.
Do outro lado, no Palácio do Planalto, o clima não era exatamente de tranquilidade. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner. A ideia era entender o que deu errado, onde a articulação falhou — porque, nesses casos, dificilmente é só uma questão de votos. Tem bastidor, tem negociação, tem ruído político que nem sempre aparece.
E agora? Essa é a pergunta que tá rodando nos corredores de Brasília. Até o momento, não há um novo nome definido pra vaga no Supremo. Existe, sim, a possibilidade de Jorge Messias ser indicado novamente. Não é algo impossível, embora politicamente seja delicado. Reapresentar um nome rejeitado pode ser visto como insistência… ou como estratégia.
Por outro lado, também há quem diga que Lula pode simplesmente não indicar ninguém por enquanto. Segurar essa decisão até um momento mais favorável, talvez. Afinal, o cenário político anda meio imprevisível — basta olhar as últimas semanas, com tensões entre poderes, debates acalorados e até pressão nas redes sociais.
No fim das contas, o episódio mostra como o jogo político continua sendo… bem, um jogo. Nem sempre previsível, cheio de movimentos calculados e, às vezes, reviravoltas inesperadas. E enquanto isso, a cadeira no STF segue vaga, esperando o próximo capítulo dessa história que, pelo visto, ainda está longe de acabar.