Mais de uma década depois de um dos crimes que mais chocaram o Brasil, o apartamento onde tudo aconteceu voltou a chamar atenção. A cobertura triplex que foi palco da morte do empresário Marcos Kitano Matsunaga, em maio de 2012, está oficialmente à venda por R$ 2,8 milhões. O valor chama atenção porque fica cerca de 30% abaixo do preço considerado normal para imóveis semelhantes na região, mas existe um motivo que pesa bastante na decisão dos compradores.
O imóvel fica na Vila Leopoldina, bairro da zona oeste de São Paulo, e ocupa quatro andares de um prédio residencial. Construído no início da década de 1990, ele tem mais de 300 metros quadrados e surgiu da união de dois apartamentos. É uma cobertura ampla, com acabamento de alto padrão e vários ambientes luxuosos, mas nem toda essa estrutura tem sido suficiente para convencer novos interessados.
Segundo informações divulgadas pelo jornalista Ullisses Campbell, os pais de Marcos Matsunaga, que hoje são os proprietários da cobertura, tentam vender o imóvel faz alguns anos. Só que quase sempre acontece a mesma coisa. As visitas acontecem normalmente, os compradores demonstram interesse, mas quando descobrem que aquele foi o cenário de um crime tão conhecido, muitos acabam desistindo do negócio antes mesmo de apresentar uma proposta.
A cobertura oferece uma estrutura que chama atenção. São cinco suítes, salas amplas para estar e jantar, escritório, copa, adega climatizada, lareira, bar, sauna seca com espaço para descanso, além de varandas com uma vista panorâmica da capital paulista. Também existem quatro vagas de garagem e dois depósitos localizados no subsolo, características que costumam valorizar bastante imóveis desse porte.

Na época em que Marcos e Elize moravam ali, o apartamento ainda tinha um detalhe curioso. Existia um quarto do pânico escondido atrás de um armário. O espaço era equipado com portas blindadas, sistema de ventilação próprio e uma linha telefônica exclusiva para situações de emergência. Era um recurso pensado para oferecer segurança, mas acabou se tornando apenas mais um detalhe lembrado sempre que o caso volta aos noticiários.


O assassinato aconteceu em maio de 2012 e ganhou enorme repercussão em todo o país. Marcos Kitano Matsunaga, herdeiro e diretor da empresa Yoki, foi morto dentro da própria residência pela esposa, Elize Matsunaga. Dias depois do desaparecimento do empresário, a investigação da polícia chegou até ela, que acabou confessando o crime durante o depoimento.


Segundo a própria Elize, ela havia descoberto diversas traições do marido depois de contratar um detetive particular. A revelação provocou uma forte discussão entre os dois dentro do apartamento. Em seguida, ela efetuou um disparo contra Marcos à queima-roupa. Porém, os exames realizados pela perícia mostraram que o empresário ainda apresentava sinais de vida quando o esquartejamento começou. O laudo apontou que a causa definitiva da morte foi asfixia provocada pela degola.


Depois disso, o corpo foi dividido em várias partes, colocado dentro de malas e abandonado em uma área de mata na cidade de Cotia, na Grande São Paulo. O caso mobilizou investigadores durante dias e rapidamente ocupou espaço nos principais jornais e programas de televisão. Até hoje ele é lembrado como um dos crimes mais marcantes da história policial brasileira.


Elize Matsunaga foi condenada a 19 anos, 11 meses e um dia de prisão pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Ela passou parte da pena no presídio de Tremembé, unidade conhecida por abrigar detentos envolvidos em casos de grande repercussão nacional. Com o passar dos anos, conquistou progressão de regime e atualmente responde em liberdade condicional.


Nos últimos anos, o caso voltou ao debate por causa de documentários e séries lançadas em plataformas de streaming, despertando novamente a curiosidade do público. Enquanto isso, Elize tenta reconstruir sua vida e também busca reaproximação com a filha, hoje com 16 anos, que continua morando com os avós paternos. Já o apartamento permanece à espera de um comprador disposto a enxergar além da história que marcou para sempre aquele endereço.

