Após 30 anos, fã quebra o silêncio sobre o último encontro com os Mamonas Assassinas

O último show da história dos Mamonas Assassinas aconteceu em 2 de março de 1996, em Brasília. Trinta anos já se passaram, mas para muita gente aquela noite continua viva, quase palpável. Entre essas pessoas está a jornalista brasiliense Nina Rocha, hoje com 37 anos, que carrega no peito a certeza de ter vivido um momento único — e, ao mesmo tempo, doloroso.

“Fui uma das últimas pessoas a vê-los em vida. Que sorte eu tive”, contou ela, com uma mistura de sorriso e nostalgia. Dá pra sentir que não é só uma lembrança qualquer. É memória de infância, daquelas que ficam guardadas num cantinho especial.

Em 1996, Nina tinha apenas 7 anos. Como praticamente toda criança dos anos 90, era fã declarada da banda. Colecionava CDs, revistas, pôsteres e repetia as músicas em casa sem parar. Quem viveu aquela época sabe o fenômeno que eles eram. Não tinha rede social, mas tinha fita cassete rodando até gastar e programas de TV reprisando os clipes.

A chance de assistir ao show surgiu por causa do pai dela, que trabalhava como produtor de eventos e estava diretamente envolvido na produção daquela apresentação em Brasília. Foi assim que a pequena Nina conseguiu não só ir ao show, como também ter acesso ao camarim depois.

E é aí que a história ganha um tom diferente.

Segundo ela, em determinado momento, algumas crianças foram convidadas para conhecer os integrantes no camarim. O espaço era grande, mas o clima… estranho. “Eles falaram rápido com a gente. Não tiraram fotos, não deram autógrafos”, lembra. Para uma criança de 7 anos, aquilo talvez nem tenha pesado tanto na hora, mas hoje, adulta, ela revisita essa memória com outros olhos.

Ela recorda especialmente de Samuel Reoli, o baixista, sentado em um canto. “Ele parecia triste, com uma cara não muito boa”, contou. A imagem ficou marcada. Décadas depois, Nina ainda se pergunta se era apenas cansaço da rotina intensa de shows ou se havia algo mais.

Horas antes do acidente, o tecladista Júlio Rasec teria comentado, em vídeo, que sonhou com a queda do avião. “Essa noite eu sonhei com um negócio, parecia que o avião caía”, disse ele na gravação que hoje circula pela internet e sempre ressurge em datas como essa. Coincidência? Premonição? É difícil não arrepiar.

Mesmo com aquele clima não tão caloroso no camarim, Nina guarda a lembrança do show com carinho. Ela ainda tem o ingresso, cuidadosamente guardado dentro de um antigo livro de autógrafos que colecionava quando criança. “Guardo com muita nostalgia”, diz. Não é só um pedaço de papel. É um símbolo de uma época inteira.

Após o fim da apresentação, Nina foi para casa. O pai dela, por sua vez, seguiu com a banda até o aeroporto. Na madrugada daquele mesmo 2 de março, o avião modelo Learjet 25 que levava os integrantes caiu na Serra da Cantareira, em São Paulo, quando seguia para Guarulhos. A notícia se espalhou rápido. Muito rápido.

“Meu pai me contou logo cedo. Eu lembro que passava em todos os noticiários. Ninguém acreditava”, relembra. Quem viveu os anos 90 talvez também se recorde da comoção nacional. Foi uma das primeiras grandes tragédias midiáticas do país naquela década. Escolas comentavam, rádios tocavam as músicas sem parar, e o Brasil inteiro parecia em choque.

Trinta anos depois, em tempos de redes sociais e resgates constantes de memórias, o nome dos Mamonas continua sendo lembrado. Vídeos viralizam, declarações antigas reaparecem, fãs compartilham histórias. E Nina faz parte desse grupo que pode dizer: “Eu estava lá”.

Ela se sente sortuda, apesar da tristeza. Assistiu ao último show da banda no auge, viu seus ídolos de perto, viveu aquele momento que virou história. “Todo mundo que estava presente naquela noite nunca vai esquecer”, afirma.

E talvez seja verdade. Porque algumas noites não acabam. Elas ficam ecoando na memória, como uma música que a gente nunca para de cantar.



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