Apoio ao impeachment de Moraes chega a 38 senadores, saiba quem votou a favor

A temperatura subiu em Brasília nesta quarta-feira (6). O número de senadores que se posicionaram a favor do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), chegou a 38 — um número que, embora ainda não seja suficiente pra dar andamento ao processo, já acendeu um alerta vermelho nos corredores do Congresso.

Segundo o levantamento do site Votos Senadores, ainda existem 24 parlamentares em cima do muro, sem declarar voto. Já outros 19 já bateram o martelo contra a ideia de afastar Moraes do cargo. O cenário tá pegando fogo, e não é só pelo clima seco do Planalto Central.

Grande parte dos senadores que estão puxando a fila do impeachment são do PL, partido que lidera a oposição ao governo do presidente Lula (PT) no Senado. Porém, curiosamente, nem todos os membros do PL estão na mesma página. Os senadores Romário (RJ) e Dra. Eudócia Caldas (AL) aparecem na lista dos indecisos.

Romário, por exemplo, virou alvo de críticas nas redes sociais depois de ser cobrado publicamente por Jair Renan Bolsonaro, vereador de Balneário Camboriú (SC) e filho do ex-presidente. Renan mandou a letra:

“E aí, Romário? Vai continuar vivendo do gol de 94 ou vai mostrar que também sabe jogar pelo povo? O impeachment do Moraes é sua chance de brilhar de novo”, provocou o vereador.

A provocação viralizou, dividindo opiniões entre os apoiadores do ex-jogador e os defensores do ministro do STF. Não é a primeira vez que Romário prefere o silêncio em temas espinhosos, mas dessa vez o campo parece apertado demais pra ficar só assistindo.

Hoje, pra que o processo de impeachment avance no Senado, é necessário o apoio de 41 parlamentares — ou seja, faltam só três votos. Mas não é tão simples assim: mesmo se o processo for aceito, a cassação de um ministro do STF exige 54 votos favoráveis, o que representa dois terços da Casa.

Os senadores que se colocaram a favor do impeachment são figuras já conhecidas da ala mais conservadora do Congresso. Nomes como Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Damares Alves (Republicanos-DF), Sergio Moro (União Brasil-PR) e Marcos Pontes (PL-SP) aparecem entre os defensores da destituição de Moraes.

No outro lado, estão senadores alinhados ao governo, como Jaques Wagner (PT-BA), Humberto Costa (PT-PE) e Randolfe Rodrigues (PT-AP), que consideram o movimento contra Moraes uma tentativa de desestabilizar as instituições democráticas.

Vale lembrar que Alexandre de Moraes se tornou uma figura central em investigações que envolvem fake news, ataques às urnas eletrônicas e atos antidemocráticos — o que o colocou na mira da oposição bolsonarista.

A lista dos indecisos é recheada de nomes do chamado Centrão, como MDB, PSD e PP. Políticos como Renan Calheiros (MDB-AL), Ciro Nogueira (PP-PI) e Davi Alcolumbre (União-AP) ainda evitam se comprometer publicamente, provavelmente esperando o vento soprar com mais clareza.

E com o Congresso prestes a retomar os trabalhos após o recesso de julho, a pressão só tende a aumentar. Já tem gente nos corredores dizendo que agosto promete ser mais quente do que o normal — e não só no termômetro.

Seja qual for o desfecho, uma coisa é certa: o clima político está longe da estabilidade, e o embate entre os Poderes continua em campo aberto. O jogo ainda não acabou — e o placar, por enquanto, segue apertado.



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