Na noite de quinta-feira, 16 de janeiro, um helicóptero que transportava a família Feldman caiu em uma área de mata fechada no Morro do Tico-Tico, em Caieiras, região metropolitana de São Paulo. A tragédia abalou familiares e amigos, que acionaram as autoridades ao perceberem que a aeronave estava demorando para chegar ao destino, em Americana, no interior paulista.
Como o acidente foi descoberto
A busca pelo helicóptero começou por volta das 21h, após os parentes dos passageiros alertarem as autoridades. Utilizando o sinal dos celulares das vítimas, os socorristas conseguiram determinar a localização aproximada do acidente, que ficava nos arredores da Rodovia dos Bandeirantes, na altura do quilômetro 31.
Segundo a capitã da Polícia Militar, Larissa Fidelis Aguiar, os sinais dos celulares apontavam para uma região densa de mata. Embora não garantissem o local exato da queda, essa informação foi crucial para iniciar as buscas aéreas e terrestres. Durante a madrugada, as equipes de resgate sobrevoaram a área com apoio de helicópteros Águia e, na manhã de sexta-feira, localizaram os destroços da aeronave.
O que aconteceu com os passageiros
A bordo do helicóptero modelo EC 130 B4, fabricado pela Eurocopter France, estavam o piloto Edenilson de Oliveira Costa e três passageiros: André Feldman, Juliana Böher Feldman e a filha do casal, Bethina Feldman, que completava 12 anos no dia seguinte à queda.
Infelizmente, André e Juliana foram encontrados sem vida dentro da aeronave. Já Bethina e o piloto sobreviveram à tragédia, mas passaram uma noite inteira na mata, sob chuva, protegidos apenas por um guarda-chuva.
De acordo com a capitã Larissa, Edenilson foi encontrado primeiro, já próximo ao acostamento da Rodovia dos Bandeirantes. Sua preocupação imediata era indicar a localização de Bethina, que estava a poucos metros dali. Quando os socorristas chegaram até ela, a menina perguntou pelo “tio” — referindo-se ao piloto — e revelou que aquele era o dia do seu aniversário de 12 anos.
O resgate e os desdobramentos
Tanto Bethina quanto Edenilson apresentavam escoriações, mas estavam conscientes e foram encaminhados ao Hospital das Clínicas, na zona oeste de São Paulo, para avaliação médica. A cena do resgate foi emocionante e registrada por equipes presentes no local. Um vídeo mostrou o momento em que Bethina chegou ao heliponto do hospital, ainda abalada, mas segura.
Por outro lado, os corpos de André e Juliana foram retirados dos destroços e identificados posteriormente. A aeronave pertencia à empresa C & F Administração de Aeronaves, utilizada pela família para deslocamentos particulares.
A queda levantou questões sobre a segurança do voo, uma vez que o helicóptero estava em situação regular, mas enfrentou condições meteorológicas adversas. Especialistas apontam que a investigação deve focar em fatores como falha mecânica, erro humano e condições climáticas no momento da decolagem.
O que se sabe até agora
• O helicóptero decolou de um heliponto no Jaguaré, zona oeste de São Paulo, às 19h.
• Estava a caminho de Americana, mas perdeu o sinal de GPS por volta das 20h34, quando sobrevoava a região de Caieiras.
• Quatro pessoas estavam a bordo: o piloto Edenilson, o casal André e Juliana Feldman, e a filha, Bethina, de 12 anos.
• Os destroços foram encontrados na manhã de sexta-feira, 17 de janeiro.
• Bethina e Edenilson foram resgatados com vida antes das 7h.
Uma história de dor e resiliência
O acidente comoveu a todos, não apenas pela perda do casal, mas também pela coragem de Bethina e do piloto, que enfrentaram horas difíceis em meio à mata. O aniversário da menina, que deveria ser marcado por alegria, se transformou em um episódio doloroso, mas sua sobrevivência e força emocionaram o país.
Enquanto as investigações avançam, a história da família Feldman se torna um alerta sobre os riscos da aviação privada e um exemplo de como a vida pode mudar em um instante. Para os que acompanharam o caso, fica a solidariedade com Bethina e os familiares que agora enfrentam o desafio de superar essa perda irreparável.