Uma disputa judicial envolvendo a lobista Roberta Luchsinger e o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) ganhou novos capítulos nos últimos dias. A empresária, que é conhecida por sua proximidade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entrou com uma ação na Justiça de São Paulo contra o parlamentar após publicações feitas por ele nas redes sociais.
Gaspar, que foi anunciado recentemente como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), passou a ser questionado judicialmente por declarações em que teria relacionado o nome de Roberta ao esquema de fraudes envolvendo aposentados e pensionistas do INSS. O deputado foi uma das figuras de destaque na CPMI que investigou o caso, atuando como relator dos trabalhos da comissão.
Na ação apresentada em maio deste ano, Roberta afirma que teve sua imagem prejudicada pelas declarações do parlamentar. Segundo a defesa da empresária, as publicações feitas por Gaspar ultrapassaram os limites da crítica política e acabaram associando seu nome a práticas criminosas sem uma condenação ou comprovação definitiva.
Por conta disso, a lobista pede que os conteúdos sejam removidos das redes sociais, que o deputado publique uma retratação e também solicita uma indenização por danos morais no valor mínimo de R$ 100 mil.
Antes disso, Roberta tentou conseguir uma decisão urgente para obrigar Alfredo Gaspar a apagar as publicações imediatamente. A solicitação previa ainda uma multa diária de R$ 3 mil caso o material continuasse disponível. Porém, em junho, o pedido foi negado pelo juiz Vítor Gambassi Pereira, da 23ª Vara Cível de São Paulo, que analisa o processo.
Segundo os argumentos apresentados na Justiça, Gaspar teria usado seu perfil oficial no Instagram para divulgar acusações que, na visão da defesa de Roberta, seriam ofensivas e sem base suficiente. A empresária afirma que foi apresentada pelo deputado como uma lobista ligada a pessoas investigadas por supostos desvios milionários envolvendo recursos de aposentados.
Um dos pontos mais polêmicos citados no processo é que, segundo Roberta, algumas publicações teriam criado uma ligação direta entre seu nome e o esquema investigado, chegando a utilizar termos considerados ofensivos contra sua reputação. Para ela, a exposição nas redes sociais aumentou o impacto das acusações, já que esse tipo de conteúdo pode alcançar milhares de pessoas e permanecer disponível por muito tempo.
A ação menciona quatro postagens feitas no Instagram que, até o momento, continuam no ar. Entre elas está uma publicação com uma entrevista concedida por Alfredo Gaspar à CNN Brasil, na qual o deputado comenta a relação de Roberta com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Enquanto o processo segue sem uma decisão final da Justiça paulista, o caso continua gerando repercussão no meio político, principalmente por envolver nomes ligados a diferentes grupos que disputam espaço no cenário nacional.
Roberta Luchsinger é uma figura conhecida nos bastidores de Brasília. Empresária e herdeira de uma família ligada ao antigo banco Credit Suisse, ela também teve um relacionamento com o ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz.
Seu nome passou a aparecer com mais frequência após as investigações da Operação Sem Desconto, que apura possíveis fraudes relacionadas a descontos indevidos em benefícios previdenciários. A empresária prestou serviços para Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como um dos envolvidos no caso e que está preso desde setembro de 2025.
A relação de amizade entre Roberta e Lulinha também entrou no radar das investigações. Ambos foram citados em apurações relacionadas ao esquema, mas negam qualquer participação irregular. A Polícia Federal identificou viagens feitas pelos dois, incluindo uma passagem por Portugal em 2024.
Além disso, aparelhos celulares apreendidos durante a operação revelaram conversas sobre assuntos envolvendo INSS, Correios e Dataprev. As investigações seguem em andamento e, até o momento, os envolvidos afirmam que não cometeram nenhuma irregularidade.