O ex-deputado federal Alexandre Ramagem resolveu falar pela primeira vez depois de ter sido solto de um centro de detenção ligado ao sistema de imigração dos Estados Unidos. A declaração veio nesta quinta-feira (16), em um vídeo divulgado nas redes, onde ele não economizou nas críticas — principalmente contra a Polícia Federal — e ainda fez questão de agradecer ao ex-presidente americano Donald Trump.
Segundo Ramagem, a detenção aconteceu por um problema “basicamente migratório”, e não tem nada a ver com crimes mais graves, como chegou a circular em alguns veículos. Ele disse que entrou no país de forma totalmente legal lá em setembro do ano passado, com tudo certo: passaporte válido, visto em dia e sem nenhuma condenação na época. Depois disso, afirmou que entrou com um pedido de asilo — o que, segundo ele, ainda está sendo analisado pelas autoridades americanas.
No vídeo, ele também adotou um tom mais pessoal. Agradeceu apoiadores, citou amigos e aliados políticos e disse que recebeu muitas mensagens de apoio durante o período em que ficou detido. Entre os nomes mencionados estão Allan dos Santos, Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo e o senador Hiran Gonçalves. Chamou alguns deles de “amigos de longa data”, reforçando o tom de proximidade.
Mas o ponto que mais chamou atenção foi o ataque direto à Polícia Federal. Em um trecho mais duro, Ramagem classificou a instituição como “polícia de jagunços”, o que gerou bastante repercussão — até porque a própria PF havia divulgado anteriormente que a prisão dele teria envolvido cooperação internacional. Ele negou isso de forma categórica, dizendo que a versão não corresponde à realidade.
A prisão aconteceu em Orlando, na Flórida, na última segunda-feira (13). Ele foi abordado por agentes do serviço de imigração americano (ICE) e levado para um centro de detenção. Tudo isso, segundo as autoridades locais, por conta de pendências relacionadas ao status migratório dele no país.
Vale lembrar que Ramagem perdeu o passaporte diplomático depois que teve o mandato cassado pelo Congresso Nacional, lá em dezembro de 2025. E esse detalhe pesa bastante, porque muda completamente a situação dele fora do Brasil. Sem o documento especial, ele passa a ser tratado como qualquer outro cidadão em questões migratórias.
A história toda, no entanto, começa bem antes. O ex-parlamentar deixou o Brasil ainda em 2025, em meio ao julgamento no Supremo Tribunal Federal, que acabou condenando ele a 16 anos de prisão por envolvimento em uma suposta trama golpista. A saída do país aconteceu praticamente no mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes votou pela condenação.
De acordo com as investigações, ele teria cruzado a fronteira com a Guiana por Bonfim, em Roraima. Um detalhe curioso — e até meio surreal — é que nessa região existe só um rio separando os dois países. Depois disso, já fora do Brasil, ele embarcou rumo aos Estados Unidos, chegando por Miami no dia 11 de setembro.
Desde então, vinha vivendo por lá. Inicialmente sozinho, depois passou a estar acompanhado da esposa e dos filhos. Enquanto isso, o governo brasileiro, por meio do Ministério da Justiça, chegou a formalizar um pedido de extradição no fim de dezembro de 2025, encaminhado às autoridades americanas.
Manifestação sobre minha custódia migratória. pic.twitter.com/Vm4zZN8oeP
— Alexandre Ramagem (@delegadoramagem) April 16, 2026
Agora, com a recente detenção e soltura, o caso volta a ganhar força — e promete novos desdobramentos. Ainda mais num cenário político que já anda bastante tensionado, tanto aqui quanto lá fora.